Mirco Challenge #01: O Verdadeiro Custo de Comprar um Arcade Barato
Challenge foi um dos primeiros jogos de arcade que eu comprei, e um dos que mais demorei para restaurar – 4 anos, para ser exato. O motivo não foi o estado da máquina – consideravelmente bom, por sinal, mas algumas situações peculiares que me levaram a deixar a restauração sempre para um momento futuro.
Eu comprei o Challenge por ser o primeiro Pong Clone ao qual eu tive acesso, antes mesmo de sonhar em comprar o original da Atari. Além disso, foi o arcade mais barato que eu já comprei – ele me custou USD 250 – menos do que muitos cartuchos de Atari na caixa.
A forma com que comprei foi muito diferente das convencionais: avisado por um amigo americano, eu visualizei o anúncio em um Facebook Marketplace regional. As fotos estavam muito ruins e só mostravam pequenas partes do gabinete, em baixa resolução. A melhor parte do anúncio foi um pequeno vídeo que mostrava que o jogo funcionava muito bem:
O vendedor me tratou muito bem e tenho certeza de que ele gastou parte do que paguei só para embrulhar o gabinete com stretch – com um capricho que poucas vezes eu vi:
O Verdadeiro Custo de Comprar um Gabinete de Arcade
Quando comprei o Challenge, eu já sabia que iria gastar muito mais do que o custo do arcade com transporte regional e importação. Somente para o transporte interno, entre o local de compra e o armazém do Bob no Kentucky, eu gastei USD 750, elevando o custo do arcade para USD 1K.
Além disso, antes da importação, existe mais um transporte regional feito para Miami. Este trecho, embora tenha um valor unitário bem menor por ser realizado em conjunto com várias máquinas, é mais uma linha a considerar em planilha.
E, por fim, existe todo o custo de transporte internacional e importação.
A compra do Challenge me ensinou uma lição: que muitas vezes um preço muito baixo pode não se traduzir em vantagem para um longo trajeto de frete. É exatamente por esse motivo que muitos compradores só negociam máquinas de arcade em regiões próximas de onde residem, e buscam os equipamentos com pick-ups próprias ou veículos alugados.
Em resumo: um arcade muito barato se torna caro ao ser importado (até 10x mais), ao passo que um arcade raro e consideravelmente mais caro pode se tornar vantajoso de ser importado, com acréscimo proporcionalmente menor. O processo todo pode fazê-lo dobrar de valor ou, em alguns casos, até menos do que o dobro.
Mesmo Assim, uma Aquisição que Valeu Cada Centavo
Mesmo levando em conta os custos de transporte e importação, a aquisição do Challenge valeu cada centavo. Eu fiquei muito contente com a chegada em perfeito estado de conservação, sem qualquer dano. Conforme é possível observar abaixo, ele foi recebido na mesma época em que eu havia acabado de restaurar o arcade Missile Command, da Atari.


É muito raro abrir um gabinete de arcade e se deparar com esquemáticos e instruções de época em estado tão perfeito de conservação. Um sinal claro de que este gabinete não recebeu umidade e possivelmente passou sua vida em um local com clima seco:




Para minha surpresa, ao abrir a coin box, me deparei com manual de instruções e folhas de assistência técnica em estado mais do que perfeito – como se fossem novos, saídos de fábrica. É algo realmente incrível e foi a única vez até hoje que me deparei com este nível de conservação em um arcade usado.





Além disso, havia até algumas moedas na coin box, o que considero um fator de sorte. Eu costumo deixar as moedas nos respectivos gabinetes em que vieram.

Internamente, o estado do arcade Challenge, da Mirco, era como novo, com um monitor que parecia nunca ter sido utilizado (ao retirá-lo, futuramente, tive a mesma impressão), e placa-mãe sem qualquer defeito ou reparo.



Fiquei bastante impressionado com a presença de todos os fios de lacre originais segurando o chicote, em uma peculiar cor laranja, e tive a impressão de que nunca haviam sido removidos.


Externamente era o contrário, o gabinete apresentava um claro sinal de desgaste. É como se esta máquina não tivesse sido jogada, porém tivesse servido como mesa de apoio durante anos, tal a presença de riscos no vidro e forte desgaste nos pés, sinal de que levou muitos esbarrões.


Havia também uma parte quebrada – é como se alguém tivesse dado uma joelhada sem querer na chave de seleção single ou multiple player.

No fim das contas, após inspecionar cuidadosamente o gabinete do Challenge, bateu a dúvida: até que ponto valeria a pena desmontar tudo e reformar a fórmica original?
