Inca #12: Motorola XM-501 – Filter Caps e Reparos Finais
Após levar o monitor Motorola XM-501 pela segunda vez à Chip Notebooks para reparos, por sugestão de Mike Kessler, responsável pelo reparo do boardset, resolvi também solicitar a substituição do filter caps, as famosas silver cans presentes nos monitores antigos.


Esses curiosos dispositivos são, na verdade, bonitos capacitores, sendo que o posterior é de maior capacitância – 5.000 uF e 20VDC –, responsável pelo controle da voltagem DC de retorno.

Já o capacitor anterior é na verdade um multi-cap, funcionando como diversos capacitores dentro de um só. Ele possui várias conexões para gerar de 20 uF a 600 uF, com voltagens de até 200VDC, todas identificadas por símbolos como triângulo ou quadrado. Esse capacitor não é mais fabricado e sua importância é enorme, pois ele é responsável pelo controle da voltagem que alimenta o flyback, e sua falha pode ocasionar dano a esse importante componente.
Para salvação de todos os restauradores, atualmente existe um upgrade disponível no mercado de retrofit de arcades – ao procurar por um Multi-Cap B+ Filter Cap, é possível encontrar este disco com 4 capacitores, que substitui as “silver cans”:

O Motorola XM-501 foi finalmente consertado – toda a ponte retificadora referente à corrente contínua foi refeita e, durante esse reparo, fizemos o upgrade para a utilização do multi-cap moderno:

Porém, as silver cans eram muito bonitas e esse aspecto fora da originalidade me incomodava, sobretudo para um monitor em estado de novo como este do gabinete Inca. Desse modo, com a ajuda do Paulo, da Magic Hologram, recortamos cuidadosamente a lata dos antigos capacitores e, após considerável trabalho, chegamos a este resultado:



Com um pingo de cola quente para segurar no lugar, finalmente chegamos a este fantástico acabamento, mantendo as silver cans originais, enquanto, por dentro, estávamos utilizando modernos capacitores eletrolíticos.

Novos testes acusaram um desempenho perfeito da saída de corrente contínua – tanto os 5V necessários para o funcionamento do boardset como os 12V necessários para os alto-falantes, aqui marcando em torno de 13V. A medição do AC ripple também é necessária e deve marcar menos do que 0,2VAC para que não prejudique os componentes. Se a medição do AC residual na corrente DC ficar maior do que 0,2VAC, é sinal de que algum componente apresenta problema.








E assim, pela primeira vez, consegui testar o gabinete Inca no monitor Motorola XM-501 original do arcade game. No teste a seguir, o jogo Blue Line apresenta funcionamento perfeito, incluindo som.
Problema Coloca em Dúvida os Modernos Multi-Caps
Tudo transcorria muito bem, com o monitor funcionando perfeitamente por cerca de 1 a 2 horas em tempo total de uso, até que, nos momentos finais da restauração, ele apresentou este problema:
No vídeo acima, eu faço a inspeção do tubo no escuro buscando eventual vazamento de alta tensão do flyback, que era uma das minhas suspeitas. Em inspeção manual posterior, também não identifiquei nenhum capacitor com problemas e fiz novamente a regulagem do B+.
Suspeitei de um problema na alimentação do boardset e fiz novo teste de voltagem, percebendo uma queda para 4,7VDC após a conexão do circuito lógico.

Fiz um teste conectando uma fonte chaveada ao circuito DC de retorno ao arcade, retirando os plugs P1-3 e P1-6 para gerar 5V e ground diretamente da fonte, em vez do monitor. Para minha surpresa, a tensão caiu para 1,5V, indicando que talvez esta fonte estivesse com problema!




Por fim, um novo teste do boardset do Inca no monitor XM-501 do Mirco Challenge transcorreu perfeitamente, mesmo com a voltagem caindo para 4,6V. Em conversa posterior com um colecionador que possui bastante conhecimento, o Tayllor Lucas, ele relatou que já havia percebido em muitos arcades com circuitos TTL a queda expressiva da voltagem. Essa é uma daquelas constatações que ninguém ensina, e que você realmente acaba descobrindo na prática.
Então, pela terceira vez, o monitor foi levado à Chip Notebooks. Desta vez, o problema foi rapidamente descoberto, estando justamente debaixo de uma das silver cans, conectadas ao moderno multi-cap – um dos capacitores havia simplesmente estourado, o de 220 uF com 50V.

Isso coloca em dúvida até que ponto é seguro usar esses modernos multi-caps. Existem duas grandes correntes que dividem de forma inequívoca os especialistas em eletrônica antiga:
- Os que preferem prevenir: existem técnicos muito respeitados que dizem que os componentes antigos devem ser substituídos preventivamente, pois, ao falhar, podem produzir danos ainda maiores em outros elementos, como é caso do capacitor vinculado ao flyback, substituído pelo multi-caps.
- Os que preferem manter: outra linha de técnicos defende que os componentes antigos possuem qualidade muito superior à dos atuais (eles estão certos) e que devemos trocar apenas aqueles que apresentarem falhas.
Eu fico um pouco dividido em relação à melhor estratégia. De forma geral, sempre procurei fazer os reparos preventivos, mas, depois desse problema, fiquei com muitas dúvidas, pois o flyback poderia ter se danificado justamente com a falha do componente novo.
E, assim, o terceiro reparo do XM-501 do Inca foi, até o momento, bem-sucedido, demonstrando mais uma vez que os processos de restauração de arcades antigos podem ser bastante complexos.
Este post é parte de uma série. Os capítulos anteriores são: Inca ou Inca Boss – A História do Único Exemplar do Arcade no Mundo, Boss e Blue Line – Os Arcade Games do Inca, A Complexa Eletrônica do Inca, da PMC, 01 – Um Arcade Game NOVO Guardado por 50 Anos, 02 – Importação do Gabinete sem a Parte Lógica, 03 – Limpeza: Voltando ao Estado de Novo, 04 – Monitor: Novo, mas Precisando de Reparos, 05 – A Longa Jornada de Reparo dos Boardsets, 06 – Um Segundo Gabinete de Inca?, 07 – Chegada dos Boardsets ao Brasil, 08 – Coin Box: Nova Zincagem, 09 – A Longa Sequência de Reparos do Monitor XM-501 – Parte 1, 10 – A Longa Sequência de Reparos do Monitor XM-501 – Parte 2 e 11 – A Longa Sequência de Reparos do Monitor XM-501 – Parte 3.
O próximo post é o 13 – Primeiros Testes com os Boardsets.