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Doctor Who – Episódios Essenciais


Reconhecida pelo Guinness como a série de ficção científica de maior duração, Doctor Who é um programa britânico que mistura elementos de ficção com linguagem “nerd” e um toque de nonsense ao melhor estilo Monty Python – ou seja, tem tudo a ver com humor inglês.

A série foi premiadíssima e reconhecida por vários aspectos, listados na Wikipedia. Talvez justamente pelas características do absurdo, das produções de baixo custo e pelos efeitos especiais baratos, Doctor Who seja pouco compreendida no Brasil. Ainda assim, tem seu público cult, prova disso é que o World Tour com premiere do primeiro episódio da nova temporada incluiu o Rio de Janeiro, onde o novo Doutor, Peter Capaldi, aterrisou no dia 18 com sua mais interessante companheira, a “impossible girl” Jenna Coleman.

Doctor Who - Episódios Essenciais - AntonioBorba.com

Quando se fala em Doctor Who, melhor esquecer as produções antigas, que já passam de 50 anos. Com a estreia da 8ª temporada da série atual e moderna do viajante do tempo, programada para 23 de agosto pela BBC, a maior dificuldade para os recém chegados será assistir aos 98 episódios das 7 temporadas anteriores, disponíveis na Netflix e outros serviços de Video on Demand. Mesmo quem conseguir assistir a todos ainda precisará buscar o especial “The End of Time“, que não faz parte da série oficial mas é fundamental para que se entenda a transição do 10º para o 11º Doctor.

Acompanhe abaixo a relação de autores de que já interpretaram Doctor Who:

Doctor Who - Todos os Atores - AntonioBorba.com

Alguns episódios da série são genuinamente interessantes, representando o melhor da ficção científica. Quem já leu clássicos da ficção antiga como Isaac Asimov, Arthur C. Clarke, Ray Bradbury, Philip K. Dick e Clifford D. Simak vai reconhecer conceitos interessantes e até mesmo inéditos refletidos aqui e ali em alguns episódios criativamente iluminados. Em compensação, outros são notavelmente monótonos e não contribuem em nada para a história principal do personagem, podendo ser perfeitamente ignorados. É como se algumas histórias tenham sido escritas com o propósito de “preencher o tempo” entre as verdadeiras obras-primas da série.

Como eu consegui assistir a todos os episódios e ao especial durante o espaço de alguns meses, resolvi indicar aqueles considerados essenciais para a compreensão da trama. Se você quer começar a assistir Doctor Who hoje, conheça aqueles que você não pode perder de jeito nenhum. Da seleção abaixo, você ainda pode escolher aqueles que mais lhe interessam conforme a descrição.

Atenção: contém spoilers.

1ª Temporada (9º Doctor)

Interpretado por Christopher Eccleston, este é um dos doutores mais comuns e “mundanos”. O personagem improvável, vestido com uma simples jaqueta de couro, parece não combinar em nada com a figura de um viajante do tempo. Presente por apenas uma temporada, em 2005, Eccleston trouxe Doctor Who de volta à TV após um hiato de 16 anos depois do encerramento da série que retratava o 7º Doctor (o 8º apareceu em um piloto de 1996 que não chegou a decolar). Quase todos os episódios da 1ª temporada moderna são essenciais para o entendimento da trama, em menor ou maior grau.

Doctor Who - 1ª Temporada - AntonioBorba.com

 1. Rose: este episódio está listado apenas por ser o primeiro da temporada. Entretanto, é tão nonsense que chega a ser chocante para quem não conhece os absurdos da série. Possui pouca relação com a história principal, exceto talvez pela revelação da entidade Consciência Nestene, cuja negociação de termos com o Doutor permite conhecer o senso de justiça que permeia a atuação dos Time Lords. Há também, claro, o primeiro contato com Rose Tyler, cuja presença permeia todas as temporadas da série.

 2. The End of the World: o primeiro episódio genuinamente interessante, no qual o Doutor e Rose viajam para o ano 5 bilhões e assistem à extinção da terra. Os hilários personagens que participam do “último show” representam impagáveis críticas à sociedade moderna e são importantes pois aparecem em futuros episódios da série.

4. Aliens of London e 5. World War Three: finalmente proporcionando o contato do Doutor com alienígenas de “carne e osso”, apesar dos toscos efeitos especiais. Nestes dois episódios é possível conhecer os peculiares Slitheen.

6. Dalek: o primeiro contato do Doutor moderno com o principal inimigo dos Time Lords – os Daleks. Neste esclarecedor episódio, o sentimento varia da incredulidade por um inimigo improvavelmente tosco e “steam punk”, à compaixão, motivada por uma surpreendente revelação ao final.

8. Father’s Day: apesar de não ser central em relação ao resto da série, este episódio permite conhecer mais sobre a vida dos pais de Rose e entender o paradoxo temporal que acontece quando se alteram pontos fixos do tempo. Cabe observar que o Doutor quebra essas próprias regras inúmeras vezes em episódios futuros, mas até aqui o paradoxo era levado muito a sério.

9. The Empty Child e 10. The Doctor Dances: em uma das histórias mais sinistras da série, Doctor Who conhece Jack Harkness, personagem fundamental em acontecimentos futuros. Um pouco longos e arrastados, esses episódios não são muito estimulantes, mas a história ao redor da frase “Are you my mommy?” vai ficar gravada no seu cérebro.

11. Boom Town: considere esse episódio como opcional, a não ser que você queira aprender mais sobre os Slitheen, habitantes do planeta Raxacoricofallapatorious, em uma clara extensão dos capítulos 4 e 5. No fim do episódio, Rose começa a perceber que seu namorado é secundário em sua nova vida.

12. Bad Wolf: depois de enfrentar Jagrafess de Hadrojassic Maxadodenfoe no 500º andar da torre que transmitia 600.000 canais de TV para a população terrestre, o Doutor se depara com uma impagável versão moderna do Big Brother, agora em sua 500ª edição. Mais uma ácida crítica à nossa sociedade, este é um dos episódios mais engraçados da série. Atenção ao termo “Bad Wolf“, que terá importância fundamental na sequência da história.

13. The Parting of the Ways: além de demonstrar como derrotar um exército de Daleks, este episódio final representa a partida do 9º Doutor, por isso é realmente o mais essencial da 1ª temporada. O processo de regeneração dos Time Lords é explicado pela primeira vez.

2ª Temporada (10º Doctor)

Com mais de 2 milhões de fãs no Facebook, David Tennant é o popstar dos doutores. Pena que sua fan page seja tão mal aproveitada – na maior parte do tempo, só o que ele faz é divulgar camisetas à venda (com ótimos temas, mas ainda assim puro comércio). De qualquer forma, este foi o Doutor que mais mexeu com os sentimentos da audiência – intenso, protagonizou os mais diversos romances e desenvolveu o principal deles – o par central com Rose Tyler, que fez os fãs mais ardorosos derramarem lágrimas.

Doctor Who - 2ª Temporada - AntonioBorba.com

2. New Earth: a partir de uma chamada de socorro, o Doutor vai parar na “Nova Terra” e na “New New New (repita algumas vezes) York”. Um episódio digno dos melhores contos de ficção/horror, tem também como desenrolar um contato muito importante com Face of Boe, vista pela primeira vez no episódio 1.2.

4. School Reunion: este episódio é quase não essencial, pois a história é completamente sideline. Entretanto, o importante contato do Doutor com sua ex-companheira Sarah Jane e seu cachorro robô K-9, tornam importante assistir ao episódio.

5. The Girl in the Fireplace: aqui vemos novamente o melhor da ficção de horror sendo colocado à prova em um brilhante episódio cuja sutileza só pode ser compreendida inteiramente ao final. Além disso, o romance estabelecido entre o Doutor e Jeanne Antoinette Poisson, também conhecida como Madame de Pompadour, reforça a habilidade deste Time Lord em destruir corações.

6. Rise of the Cybermen e 7. The Age of Steel: episódios completamente obrigatórios, apresentam a origem dos temidos Cybermen, androides com menor ou maior grau de componentes biológicos/humanos que surgiram em um universo paralelo, outro conceito absurdo muito explorado ao longo da série.

9. The Impossible Planet e 10. The Satan Pit: apesar de poderem ser considerados paralelos à trama, estes dois episódios são interessantes justamente por tentarem explicar o sobrenatural de forma “científica” – tentando definir a origem de Satan, o demônio em pessoa. Além disso, a raça Ood é apresentada de forma chocante – criados para serem escravos da raça humana. Vale notar que o episódio 1.3 também lida com o sobrenatural ao explicar espíritos que na verdade são alienígenas, porém o considerei muito sideline para entrar nesta compilação.

13. Army of Ghosts e 14. Doomsday: Cybermen + Daleks – é preciso dizer mais? Este episódio é mais uma prova da criatividade dos roteiristas, especialistas em utilizar o absurdo para fazer o Doutor escapar das maneiras mais simples das maiores ameaças.
Atenção: Doomsday é imperdível em especial por conduzir ao grande clímax entre o Doutor e Rose, finalizando com a apresentação de uma nova tripulante que poderá acompanhar o 10º Doctor na Temporada 3.

3ª Temporada (10º Doutor)

David Tennant inicia a 3ª temporada causando mais uma de suas grandes confusões ao se envolver com Donna Noble, e, posteriormente Martha Jones.

Doctor Who - 3ª Temporada - AntonioBorba.com

1. The Runaway Bride: o mais importante deste episódio é explicar a estranha relação temporária entre o Doutor e Donna. Uma nova espécie alienígena é apresentada através da rainha dos Racnoss.

2. Smith and Jones: além de conhecer Martha Jones e trocar novamente sua companheira de bordo, neste episódio o Doutor encontra com a “polícia galáctica” através da raça Judoon e sua clara indiferença à raça humana – desejam meramente cumprir seus objetivos de localizar um fugitivo.

4. Gridlock: em mais uma ironia à sociedade, na Nova Terra os habitantes são forçados a enfrentar engarrafamentos que duram anos. O Doutor encontra-se com Face of Boe mais uma vez, e descobre um importante segredo.

5. Daleks in Manhattan e 6. Evolution of the Daleks: ambientado na época da Grande Depressão americana, com mais um ambicioso plano dos Daleks para exterminar a humanidade. Os episódios envolvendo os Daleks são sempre importantes, pois aos poucos são revelados conhecimentos a respeito desta misteriosa raça e sua confusa hierarquia.

11. Blink: entre os mais brilhantes episódios de Doctor Who, digno de constar nas melhores obras de ficção, Blink estabelece poderosos links entre passado e futuro ao demonstrar a sagacidade do Doutor em mandar mensagens através do tempo, o que nos oferece algo para pensar. Porém, este episódio é importante, sobretudo, porque nele é possível conhecer alguns dos mais assustadores inimigos do Doutor, os Weeping Angels.

12. Utopia, 13. The Sound of Drums e 14. Last of the Time Lords: Jack Harkness encontra-se com o Doutor novamente, desta vez no limite do universo. Porém, um personagem ainda mais importante emerge desta aventura – o Time Lord “The Master”. Estes são os primeiros episódios da série que formam uma trilogia e encerram a participação de Martha Jones como companheira do Doutor.

4ª Temporada (10º Doutor)

A 4ª temporada, última de David Tennant, ainda conserva o logotipo “retrô”, porém o tema musical da abertura evoluiu consideravelmente após receber uma “polida”. Donna Noble volta a acompanhar o Doutor em suas viagens.

Doctor Who - 4ª Temporada - AntonioBorba.com

1. Voyage of the Damned: o Doutor, temporariamente sem companheira, é abalroado por uma espaçonave que em tudo lembra o navio Titanic. A convidada especial deste episódio especial de Natal é Kylie Minogue.

4. Planet of the Ood: Donna acompanha o Doutor no que talvez o que seja o episódio mais triste e melancólico de toda série. É possível conhecer a verdadeira origem da raça Ood, criada para a escravidão, em sua segunda aparição, desta vez em seu planeta natal. Alusões ao fascismo e ao nazismo se fazem presentes, o que nos leva automaticamente à reflexão.

5. The Sontaran Stratagem e 6. The Poison Sky: o mais importante destes episódios é conhecer os imponentes Sontaran, considerados os melhores guerreiros da galáxia.

9. Silence in the Library e 10. Forest of the Dead: estes dois episódios são importantíssimos, pois começam a estabelecer a longa e complicada relação do Doutor com a misteriosa River Song, que parece vir de seu futuro. O roteiro, novamente, lembra a clássica ficção científica dos livros e almanaques. Outro inimigo assustador é conhecido nestes episódios: a temível Vashta Nerada. Se você não sabe por que tem medo do escuro, aqui está sua chance de descobrir.

12. Turn Left: este capítulo oferece o doce sabor do reencontro entre todas as companheiras do Doutor: Rose, Martha e Donna. Mas, principalmente, mexe com o “efeito borboleta“, que é a teórica consequência sentida no futuro a partir das mudanças realizadas no passado.

13. The Stolen Earth e 14. Journey’s End: um super ousado plano dos Daleks acarreta no sequestro da Terra e dezenas de planetas. Donna se despede do Doutor de uma vez por todas, devido a uma triste circunstância. Rose tem um final feliz, afinal?

15. The Next Doctor: este é mais um dos chatos episódios da Era Vitoriana, que parece ser uma obsessão dos britânicos. Entretanto, se tornou especialmente importante devido à presença dos Cybermen. Quanto ao título, é completamente ilusório, uma vez que não há um próximo doutor de verdade neste capítulo.

The End of Time

Lançado como um especial de Natal em duas partes, estes filmes estão completamente ausentes das compilações da série geralmente disponíveis na TV on Demand. Entretanto, The End of Time conta uma importantíssima história que trata de desvendar o mistério por trás das “batidas de tambores” que tanto perturbaram The Master por toda a sua existência.

Doctor Who - The End of Time - AntonioBorba.com

Com o desenrolar dos dois episódios é possível compreender motivações ocultas dos Time Lords, que escaparam até mesmo do conhecimento do Doutor. Seu plano de aniquilação final é uma tentativa desesperada de provocar o fim dos tempos da pior maneira possível. O planeta natal dos Time Lords, Gallifrey, se aproxima da Terra como consequência do plano nefasto.

Após desmantelar, como de costume, todos os planos dos vilões da história, o Doutor protagoniza talvez o mais sentimental dos episódios, que não perde nada para o desenlace de sua história com Rose Tyler. Condenado à morte, o Doutor vai se regenerar novamente, mas não sem antes se despedir de todos os seus amigos. Um Doutor nostálgico e triste, que não quer deixar este mundo, apesar de saber que renascerá novamente.

Finalmente, é possível acompanhar a transição do 10º para o 11º Doutor e entender o início da 5ª temporada, que até então parecia deslocado.

5ª Temporada (11º Doutor)

Matt Smith assume o papel do mais bem humorado e debochado dos doutores. Sua nova companheira, Amy Pond (“The Girl Who Waited“), finalmente calça os sapatos de Rose Tyler e, com personalidade e graça, dá um novo charme às aventuras de um novo Doutor. A partir desta temporada, surge um tema constantemente explorado – as fissuras no espaço-tempo (“cracks in time“), o mistério mortal e o dilema envolvidos em sua origem. Finalmente, vemos o logotipo do Doctor Who remodelado na vinheta da série.

Doctor Who - 5ª Temporada - AntonioBorba.com

1. The Eleventh Hour: episódio dos mais fundamentais, pois conta a história da “garota que esperou“, de como ela se tornou a nova companheira do Doutor e, mais uma vez, a história de um casamento interrompido. O “Prisioneiro Zero” é mero pretexto para ligar o Doutor à sua nova ajudante. Uma frase impossível de esquecer é repetida sistematicamente por boa parte do episódio: “Prisoner Zero will vacate the human residence or the human residence will be incinerated“.

3. Victory of the Daleks: o novo estrategema dos Daleks envolve um disfarce para enganar o Governo Churchill durante a Segunda Guerra Mundial. Um novo visual Dalek é apresentado, desta vez mais colorido (e polêmico).

4. The Time of Angels e 5. Flesh and Stone: River Song aparece pela segunda vez, conduzindo Doutor e Amy a um planeta infestado por nada menos que Weeping Angels, também em sua segunda aparição. Muito mais mortais e assustadores, os Angels são capazes de provocar verdadeiro pavor nesses dois episódios que se completam. A fissura no espaço-tempo produz severos efeitos. Muito interessante é conhecer  os cléricos militarizados que formam o exército do futuro.

8. The Hungry Earth e 9. Cold Blood: estes episódios apresentam a raça dos Silurians, da espécie Homo reptilia, que teria habitado a Terra antes do homem. O conflito entre Silurians e humanos pode ser relacionado com alguns episódios da Guerra Fria entre Estados Unidos e União Soviética.

10. Vicent and The Doctor: esta é uma de duas histórias únicas, completamente paralelas à trama principal da série (envolvendo Van Gogh), mas que mesmo assim incluí nesta coletânea. Vicent and The Doctor é especial por um simples motivo – é um dos mais emocionantes episódios, e seu final vale a recomendação.

12. The Pandorica Opens e 13. The Big Bang: estes dois episódios, vencedores do Hugo Award, compõem uma das tramas mais complexas de toda a série. Finalmente, o mistério dos “cracks in time” é devidamente explicado, o que leva a compreender por que o Doutor é considerado um inimigo por quase todas as espécies. Em paralelo, outras tramas são criadas, entre elas o mito do último centurião (“The Last Centurion“), que definitivamente consolidou o amor de Rory por Amy. O fim dos tempos, o reboot do universo e o time-loop são outros conceitos igualmente confusos trazidos à tona nestes episódios que podem ser classificados como “mind-blowing“.

14. A Christmas Carol (Season 5 Xmas Special): esta é a segunda história paralela digna de menção. Simplesmente poética, foge ao estilo de todos os outros episódios de Doctor Who e tem inspiração declarada no conto de Charles Dickens de mesmo nome. Vale assistir!

6ª Temporada (11º Doutor)

Matt Smith provou seu talento nas empolgantes aventuras que formaram a excelente quinta temporada. Desvendado o enigma das fissuras no espaço-tempo, agora o tema central é a morte do Doutor. Apesar da excepcional temporada anterior, os episódios desta 6ª temporada parecem não deixar espaço para o meio termo – são excelentes e indispensáveis ou péssimos e monótonos. Certamente, esta é a menor lista de episódios essenciais.

Doctor Who - 6ª Temporada - AntonioBorba.com

1. The Impossible Astronaut e 2. Day of the Moon: estes dois sinistros episódios começam com o forte e chocante tema da morte do Doutor em evidência. Em seguida, passam para uma investigação que acaba apresentando a raça conhecida como Silence, alienígenas que habitam a terra desde o início e possuem a incrível e criativa habilidade de fazer as pessoas esquecerem deles tão logo desviam o olhar. Imperdíveis.

4. The Doctor’s Wife: quase uma história paralela, o episódio possui características singulares, que não podem passar a quem assiste a série. Por exemplo, como seria a Tardis incorporada em uma pessoa? E que entidade tem o poder de matar Time Lords, após os atraírem para uma região “fora do universo“?

7. A Good Man Goes to War: é importante sinalizar que este episódio é o último da trilogia iniciada por “The Rebel Flesh” e seguida por “The Almost People“. Ocorre que as histórias anteriores são completamente paralelas à trama, mas receberam um gancho importante que levou a este episódio fundamental para o entendimento da série. Uma das maiores revelações surge aqui: quem é afinal River Song.

8. Let’s Kill Hitler: criado inicialmente para debochar de Adolf Hitler, este episódio é importante por introduzir os novos personagens responsáveis por operar a “Teselecta“, uma máquina com forma humana que pode mudar seu formato e contém uma equipe de homens miniaturizados em seu interior. Sua missão é trazer justiça aos criminosos do passado, utilizando sua tecnologia para torturá-los próximos ao fim de sua linha do tempo, teoricamente sem causar alterações no futuro.

13. The Wedding of River Song: o Doutor se vê forçado a finalmente aceitar seu destino e caminhar para sua morte no Lake Silencio, em Utah. Porém, antes disso, ele vai investigar exaustivamente os fatos que o levaram a chegar a esse ponto fixo no tempo. A profecia da queda do 11º Doutor é revelada, com alusões ao Silêncio (“Silence“) e à “pergunta que nunca deve ser respondida” – “The oldest question in the universe, hidden at plain sight“. O mistério dá muito o que pensar, mas ao final deste episódio que fecha a temporada, a dica para a resposta será revelada, certamente no melhor final de todas as temporadas.

7ª Temporada (11º Doutor)

Sem tema central claro como as duas temporadas anteriores de Matt Smith, a 7ª temporada possui histórias mais soltas e desvinculadas de temas anteriores, passando por alguns capítulos completamente dispensáveis. Aos poucos, surge o mistério ao redor da futura nova companheira do Doutor. Esta temporada também explica várias tramas e define importantes momentos, além de seguramente apresentar os dois melhores episódios da série até hoje.

Doctor Who - 7ª Temporada - AntonioBorba.com

1. Asylum of the Daleks: os Daleks pela primeira vez pedem a ajuda do Doutor, em um surpreendente episódio que o coloca em contato com a “souffle girl” Oswin Oswald – a futura nova companheira do Doutor (e mais bonita até hoje), interpretada por Jenna-Louise Coleman. Esta é outra trama digna das melhores ficções científicas, entretanto seu final é bastante triste.

5. The Angels Take Manhattan: episódio dos mais fundamentais, traz pela última vez nas sete temporadas o encontro do Doutor com os Weeping Angels, que desta vez conseguem levar Rory e Amy para longe do Doutor de forma definitiva, em um final surpreendente que evidencia mais uma das confusas regras de “não cruzar linhas do tempo“.

6. The Snowmen e 7. The Bells of Saint John: estes episódios não estão relacionados entre si, mas são importantes para definir a participação da futura nova companheira do Doutor, a “souffle girl“, que se torna aos poucos a “impossible girl” por morrer várias vezes em diversas vidas. Inicia-se um novo mistério que, a princípio, nem mesmo o Doutor consegue entender. The Snowmen também é importante por apresentar o inimigo Great Intelligence, que estará presente também no penúltimo capítulo da temporada.

13. Nightmare in Silver: pela última vez nas sete temporadas, o Doutor vai enfrentar os Cybermen, que desta vez estão ainda mais evoluídos, podendo reprogramar seus códigos em tempo real.

14. The Name of the Doctor: este episódio e o seguinte, os dois últimos da 7ª temporada, a meu ver, são os melhores do Doctor Who até hoje. A penúltima história do 11º Doutor discorre sobre o grande segredo guardado no planeta Trenzalore, um local no qual um viajante do tempo jamais deveria ir – “It is a secret he will take to the grave, and it is discovered“. Este episódio também mostra novos inimigos, os Whisper Men, comandados pelo Great Intelligence. O final do capítulo confirma e dá sentido à profecia estabelecida em “The Wedding of River Song“, assim como resolve o mistério da “impossible girl“. Imagens de todos os doutores tornam este capítulo muito especial e homenageia todo o cast anterior da série.

15. The Day of the Doctor: este premiadíssimo e renomado episódio, teoricamente o último de Matt Smith, coloca-o com David Tennant em uma empolgante e engraçada história envolvendo os dois doutores e, logo em seguida, sua encarnação escondida – o War Doctor. Interpretado por John Hurt – “the one who broke the promise” – a história se passa em boa parte ao redor da queda de Arcadia, a segunda cidade do planeta Gallifrey, lar dos Time Lords, no última dia da Time War. O War Doctor, que na verdade é o 12º doutor a aparecer mas oficialmente não faz parte da numeração, é quem tem o poder de decidir sobre o extermínio dos Time Lords para salvar o resto do universo. Porém, ele também se junta aos outros dois doutores e pode então repensar sua decisão, em um dilema épico.

As novas temporadas

Apesar das loucuras da série, Doctor Who sempre seguiu certas “regras inquestionáveis” durante suas viagens no tempo. O episódio “The Name of the Doctor” e a sequência final do episódio “The Day of the Doctor“, infelizmente, desmontam toda a bem construída tese ao redor de paradoxos, cruzamento de linhas de tempo e pontos fixos no espaço-tempo, verdadeiros tabus do time travelling durante os episódios anteriores.

Doctor Who - 8ª Temporada - AntonioBorba.com

Resta saber se, com a sequência de regras quebradas, as novas temporadas de Doctor Who não vão descambar para o “absurdo do absurdo“. Os trailers, até o momento, sugerem um Doutor mais sério e com um “lado negro“, interpretado por Peter Capaldi.

A trama geral, apesar de ter seus momentos fracos, trouxe muitos episódios interessantes e saiu vencedora – atingindo um sucesso além do esperado por seus próprios produtores.

Esperamos que a 8ª temporada realmente conduza o 12º Doutor a aventuras genuinamente inteligentes e surpreendentes, já que neste momento boa parte dos mistérios parecem ter sido esclarecidos.

6 comentários em Doctor Who – Episódios Essenciais

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6 Respostas para Doctor Who – Episódios Essenciais

  1. Daniel Meurer disse:

    Human Nature e The Family of Blood? Nao?

    • Antonio Borba disse:

      Daniel, você me pegou, afinal de contas, já passa de um ano que escrevi o post e eu teria que relembrar. Na época, foi difícil achar os mais relevantes (não necessariamente os melhores). Nem incluí a temporada 8, mas confesso que nessa nova versão, está difícil de achar episódios interessantes…

  2. Fabiano Soneti Delgado disse:

    Pessoal tudo bem? Preparei para os fãs estas canecas lindas do Doctor mais querido de todos os tempos. vejam aqui! http://canecasdosnerds.com.br/series/doctor-who

  3. Carlos Morevi disse:

    Tem três episódios que vou acabar assistindo antes da ordem cronológica; ‘ Vincent and The Doctor’ pois achei demais os previews que vi na web (as pinturas do van Gogh animadas ficaram muito foda!) e os escritos pelo Neil Gaiman (‘Nightmare in Silver’ e ‘The Doctor’s Wife’) que é um roteirista de quadrinhos que eu curto muito!

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