Categorias: Traumas Tecnológicos

Minha Longa e Traumática Migração do Palm Treo – Parte 1

Parte 1: Que Aparelho Escolher?

Dizem que apenas a geração mais velha é resistente à tecnologia. Pais e avós, mais precisamente. Mas não é bem assim. Eu ainda me surpreendo em descobrir que pessoas adultas, familiarizadas com tecnologia, ainda usam dispositivos arcaicos, como por exemplo, agenda de papel. Boa parte deste público é vítima de “traumas” tecnológicos, e têm alguma história do tipo “perder toda a agenda”, “perder arquivos de anos de trabalho” ou algo parecido.

Traumas tecnológicos

Apesar de trabalhar com web design e lidar com tecnologia diariamente, eu descobri que também tenho alguns traumas com novas tecnologias (não sem motivo), traumas estes que me levaram a adquirir alguns “cacoetes tecnológicos”, como por exemplo o famoso “tempo de homologação” entre dispositivos que já virou motivo de sarro na empresa. Primeiro estudo o equipamento novo, depois migro lentamente, mantendo o antigo por um longo tempo até ter certeza de que não esqueci nada… Guardar um notebook antigo por um ano após a troca é padrão, independente de ter backup.

Um dos melhores exemplos mesmo é a clássica migração de notebooks. Invariavelmente, a cada um ano e meio em média, qualquer computador rodando Windows vai ficando mais lento, de tanto instalar softwares, sofrer atualizações, sem contar a demanda cada vez maior por processamento que temos ao utilizar imagens e vídeos em alta definição, entre outros. Mas isto é assunto para outro post, pois a Microsoft é campeã em preparar aquelas “surpresinhas” de um sistema operacional para outro.

O bom e velho Palm

Palm Treo 680 - Wallpaper Magic Web DesignUm dos principais traumas tecnológicos que me incomodavam até há pouco tempo era minha dependência do bom e velho Palm Treo 680, que foi o último dos Palms a evoluir no sistema Palm OS, o qual usei por uns 10 anos da minha vida. Para quem não viveu a experiência Palm OS, é importante frisar que este foi um sistema operacional extremamente prático, leve, que, sincronizando os dados de agenda de compromissos e agenda telefônica entre computador e smartphone (isto antes do termo smartphone existir, o nome era simplesmente PDA – Pocket Digital Assistent ou simplesmente e genericamente “Palm”) permitia uma agilidade sem precedentes numa época pré iPhone, quando Windows Mobile de certa forma ainda era uma piada. O Palm era o rei.

O problema é que a Palm parou no meio do caminho, ameaçou fechar, os modelos com Palm OS pararam de ser fabricados e – surpresa – a Palm passou a lançar modelos com Windows Mobile, até que, em um movimento sem precedentes, lançou o sistema Web OS – este extremamente elogiado por revistas especializadas, em que o Palm Pre (novo modelo com Web OS) chegou a ser comparado com iPhone e até ser considerado melhor que o iPhone por renomadas revistas como a PC Magazine.

Outro problema é que o Palm Pre, até então, não existia em versão unlocked (desbloqueado). Somente algumas versões européias/ alemãs, onde, não sei por que diabos, o Z vem no lugar do Y no teclado (o infame teclado QWERTZ) – sinceramente não, obrigado. E meu velho Palm Treo 680 continuava na luta, carcaça descascada, bluetooth capenga, sem 3G, com câmera de baixíssima resolução, enfim, obsoleto. Pior ainda era a tiração de sarro ou olhar de desdém dos amigos usando iPhone, Blackberry e outros celulares e smartphones modernos. Definitivamente, não pegava nada bem para mim utilizar um celular com anos de existência trabalhando com tecnologia, principalmente na frente de clientes.

Como migrar 10 anos de dados?

Porém, poucas pessoas têm o verdadeiro conhecimento do que seria migrar 10 anos de dados comerciais. Isto incluía uma agenda com cerca de 2.500 contatos, com uma média de 3 telefones por contato (= 7.500 números de telefone) e uma agenda de compromissos com 10 anos de registro de atividades, que me permite rapidamente localizar histórico de visitas de clientes e outros dados importantes. Sem contar arquivos criptografados com cerca de 8 páginas A4 de senhas importantes a todos os dispositivos que eu tenho ou posso ter acesso na minha vida, inclusive senhas de banco, cartões de crédito, servidores, computadores, cartões fidelidade e os mais diversos dados importantes.

Se considerarmos também as listas de compra, anotações variadas e outros dados menores, poderíamos facilmente concluir que a minha vida estava ali dentro (devidamente protegida e criptograda, claro). E, mais importante, com backup no computador, backup no servidor e ainda um dispositivo Palm de backup para emergências. Ou seja, eu nunca iria parar!

Migrar este tipo de dado de um sistema operacional para outro não é digamos assim “tão simples”. Porém, eu precisava dar este passo.

Mas qual dispositivo escolher?

iPhone? Nem pensar, iPhone não tem teclado, é um celular “bonitinho”, mas convenhamos, mais doméstico que corporativo (já estou sentindo a indignação de quem usa iPhone). Alguns argumentam que tem teclado virtual. Claro que tem, todos têm. Mas só quem envia uma média de 500 SMS por mês e anota coisas na agenda o dia todo sabe que um teclado virtual é uma forma moderna de tortura. Eu precisava de um teclado de verdade.

BlackBerry? Talvez. Mas é impressionante como as pessoas conhecem pouco ou usam pouco seus smartphones. Com todos os amigos que conversei sobre o BlackBerry, sempre ouvi aquela resposta “cautelosa”, com medo de opinar, tipo “para mim ele serve bem, já pra você, não sei…”

Windows Mobile? Jamais. Já temos muita dependência de Windows em nossas vidas.

Google Android? Talvez, mas não me pareceu suficientemente pronto.

A resposta pareceu ter vindo em uma das últimas viagens que fiz ao exterior. Convencido pelo meu sócio, que praticamente me empurrou goela abaixo, eu comprei um Nokia 97 Mini com Symbian OS (não ria, por favor). Aparentemente, tinha tudo que eu precisava: 3G, Bluetooth bem implementado, teclado, tela touch (inclusive com vibração para confirmar pressionamento de tecla), agenda integrada com serviço on-line (OVI, da Nokia), entre outros.

Para saber o que aconteceu, acompanhe a parte 2 deste artigo.

12 comentários em Minha Longa e Traumática Migração do Palm Treo – Parte 1

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12 Respostas para Minha Longa e Traumática Migração do Palm Treo – Parte 1

  1. Pingback: Minha Longa e Traumática Migração do Palm Treo – Parte 3 | Antonio Borba

  2. Danilo Lisboa disse:

    Amigo não vejo nada de traumático nesta sua tortura de migração.

    Minha resposta para este seu enigma é bem simples.
    O próprio Sistema Pam Desktop 6.2.1, este software sincroniza com o Outlook, sendo assim os dados como contatos, calendários e notas, podem ser exportados e depois importados para qualquer smartfone,atravéz de seus respectivos programas de sincronismo, ovi-nokia, itunes-ifone, active-sinc- windows mobile, kies-samsung… funciona muito bem com Android.
    Alguns dados que estão armazenados em sub-pastas são mesclados, mas ainda assim podem ser reorganizados.
    O google trabalha esses dados em cloud computing, tendo sua sincronização on-line e mantém seus dados em backup no servidor.

    • Antonio Borba disse:

      Valeu Danilo. Você leu a parte 1, não a 2 nem a 3. E eu também abri mão de escrever a sequencia destes artigos porque ficaram outdated. Eu hoje uso um BlackBerry, mas a migração não é simples. Ao passar para o Outlook, todos os códigos “+55” e outros se transformaram em “55”, inutilizando toda a capacidade de discagem, além disso o software não foi capaz de lidar com o volume de dados de forma eficiente, ocasionando vários crashes e duplicações na base.
      O OVI é uma das piores porcarias que já vi na vida, como você poderá ver nos posts seguintes sobre esse tema. Sem dúvida, hoje, com Outlook+BlackBerry sou feliz, mas conheço alguns usuários de Palm retrógrados como eu até então, e putz… ficar órfão é ruim! 🙂
      Os novos sistemas do Google e da Apple são excelentes. Mas tudo isso é melhora para quem começou a menos tempo do que para quem carrega uma montanha de dados.
      Abraços!

  3. José Luiz Garcia disse:

    Quanto ao Atari guardado no armário, que coincidência, tenho sim!
    E você, tem algum?:)

  4. Pingback: Minha Longa e Traumática Migração do Palm Treo – Parte 2 | Antonio Borba

  5. JL Garcia disse:

    Tom, não estou indignado com relação ao iPhone, pode ficar tranquilo.:)
    Uso todos os recursos do meu iPhone 4 mas confesso que não digito tanto nele e ainda confirmo que o teclado digital é realmente difícil, principalmente com relação à acentuação.
    Já tive PALM e ainda mantenho na gaveta meu Zire S por pura Nostalgia(ainda funciona!).
    Cada qual com suas necessidades e soluções.
    Não gosto muito do Andróide pela falta de padrão atual. Se precisasse migrar para um dispositivo mais “profissional” realmente não sei o que escolheria, seria um martírio de pesquisas e reviews.

    • Antonio Borba disse:

      Garcia, muito obrigado pela sua participação! Palm Zire! Grande lembrança – JÁ TIVE – jogava um game de submarino nele e também o minefield – nostalgia das mais puras, mais do que isso, só colecionar Atari – não me diga que você tem um Atari guardado no armário – hehe 🙂
      Muito acertado o que você falou a respeito de migrar para um dispositivo mais profissional. As opções são tantas e cada qual com características muito próprias, então o que é bom por um lado, exige intensa pesquisa por outro, se você quer ir além do casual e realmente “usar” o equipamento. Grande Abraço!

  6. Borba, realmente é complicado achar um modelo que agrade totalmente.

    Eu mesmo sou chato para essas coisas, normalmente “estudo” o celular por um mês através de vídeos, reviews e etc antes de fazer uma compra.

    Realmente como você comentou, faz falta sim um teclado físico, fica muito mais fácil digitar emails e mensagens.

    Até o momento o que mais supre minhas necessidades é o Android, as últimas atualizações que ele apresenta esta deixando o sistema muito mas rápido e estável.

    Abraços

    • Antonio Borba disse:

      Olá Rafael, obrigado pelo comentário. Sem dúvida, o Android deve ser uma plataforma a se consolidar rapidamente, ainda mais com a força do Google por trás. Se o Google conseguir integrar bem todas as suas aplicações (Gmail, Latitude, Calendar e outras) de forma coesa, será muito difícil competir. O que impede eles de dominarem o mundo sozinhos é a Microsoft 🙂 Ah, e o Facebook 🙂

  7. Milton disse:

    Caramba, eu já tive um Treo, gostava, mas confesso que não fiquei tão viciado assim hehehehe mas interessante seu post, muito bom!!!

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