O Poder da Gravação

O Poder da Gravação - AntonioBorba.com

O poder é um magneto que atrai o homem. Porém, o poder pode ser exercido de diferentes formas, das mais sutis e triviais até as mais destrutivas. Para este post, vou ignorar a busca pelos grandes poderes: político, militar, nos negócios e similares. Eu acho mais interessante observar as pequenas coisas que dão “poder” ao homem no dia a dia.

Há pessoas que sentem poder em ter um carro possante, em superar um potencial ou conquistar um objetivo. Porém, este tipo de poder ainda é por demais importante para falarmos a respeito. Vamos descer ainda mais na banalidade das coisas.

Entre os poderes “banais” do dia a dia, considerando as atividades de dezenas de pessoas, cheguei à conclusão de que o homem se sente muito bem “gravando” as coisas. O homem moderno detém o poder da gravação: pode gravar pen drives, CDs, DVDs, Blu-Ray, gravar fotos, vídeos, e por aí vai.

Talvez a possibilidade de gravar dados esteja associada a uma espécie de colecionismo, uma compulsão natural do ser humano por coletar, preservar e guardar as coisas. Entre os comportamentos que podemos facilmente perceber no dia a dia, estão pessoas obcecadas por:

  • Gravar música: em HDs, CDs, DVDs, Blu-Ray. Estes colecionadores de MP3 podem ser comparados aos indivíduos que adoravam fazer coletâneas de vinil em fitas-cassete, nos idos de 80
  • Gravar arquivos: vai do executivo que usa o pen drive como se sua vida pudesse depender dele, até a pessoa que coleciona toda sorte de arquivos e utilitários em seu computador abarrotado de programas
  • Gravar vídeos: antigos consumidores vorazes de fitas VHS agora tendem a utilizar o DVR ou gravador digital, muito comum nos pacotes de TV Digital por assinatura. Mas o HD lota fácil, fácil – que pena!
  • Gravar fotos: a obsessão por tirar e colecionar fotografias, não preciso nem falar, é talvez um dos vícios mais contagiantes de todos
  • Gravar online: o processo de gravação está migrando para a nuvem – YouTube, Flickr, blogs – o homem começa a gravar informação em massa na Internet.

Confesso que eu mesmo padeço de todas as compulsões acima, em escalas variadas. Não é incomum que eu descarte CDs ou DVDs antigos cujo conteúdo não me serve para nada. E, às vezes, me pego perguntando se devo mesmo guardar alguns arquivos em backup.

Claro, é importante preservar a memória, portanto manter seu arquivo digital de fotos e vídeos pessoais é importante, desde que não beire a obsessão por digitalizar a vida. E ainda mais importante do que salvar um conteúdo é manter seu backup, que pode ser em mídias externas ou até mesmo na nuvem (online).

Agora, que gravar qualquer coisa em uma mídia externa causa uma satisfação muito grande às pessoas, isso causa. É uma droga digital que tem origem no instinto de preservação da espécie.

Não deixe de ler também: Viver é Fotografar?

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