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Garmin GPS Fitness: Quais as Diferenças entre o FR610 e o FR620?


Recentemente, eu escrevi um post sobre o novo GPS da Garmin para Fitness, o Forerunner 620, que possui métricas avançadas através do sistema HRM-Run.

Um dos principais públicos para um equipamento topo de linha é sempre o proprietário do modelo anterior, que ficará ávido para fazer o upgrade. É assim com telefones celulares, com carros e, por que não, com GPS Fitness.

A principal questão, sempre que um modelo é lançado, é entender quais são os benefícios, para perceber se a diferença justifica vender um modelo anterior como usado para investir no novo. Como usuário de um modelo FR610 por dois anos e meio, eu sei bem as qualidades e os defeitos do GPS, então vamos ao assunto.

Diferenças estéticas

FR610 x FR620 - Diferenças - Tamanho Lado a Lado - AntonioBorba.com

Como podemos observar na foto acima, em termos de tamanho ambos são praticamente iguais, portanto esse não é um fator a ser considerado.

Cabe dizer que o FR620 é cerca de 20% mais leve que o 610 e essa diferença pode ser sentida, embora sua aplicação prática seja nula. Acompanhe a foto abaixo para perceber algumas diferenças muito mais cruciais entre os dois modelos:

FR610 x FR620 - Diferenças - Pulseiras - AntonioBorba.com

Pela posição de ambos, é possível perceber a diferença entre as pulseiras que eu já havia mencionado no meu post anterior. O modelo 610 possui uma pulseira com plástico rígido, desconfortável. Seu uso prolongado somado ao atrito proveniente do suor pode causar ulcerações no pulso, além disso, há vários relatos de pulseiras que abriram durante o treino. Eu mesmo já tive meu relógio subitamente desconectado e jogado ao chão, sendo esse um defeito de fábrica das primeiras pulseiras do modelo 610.

Segundo a assistência técnica Teodonível, as novas pulseiras do 610 resolvem o problema sendo mais rígidas. Eu troquei e percebi a diferença, porém elas se tornaram ainda mais desconfortáveis na hora de colocar e tirar o relógio.

O FR620 resolve esse problema com um novo design que permite a abertura completa da pulseira. Isso melhora muito na hora de colocar e tirar o equipamento, além de aumentar o conforto durante o uso. Como consequência, a nova pulseira pôde ser fabricada com um plástico muito mais macio e confortável. Nesse sentido, o upgrade representa 100% de melhoria.

Um dos problemas de acabamento do 610 que mais me chamou a atenção, caso não tenham percebido na foto anterior, foi a questão da ferrugem na tampa:

FR610 x FR620 - Diferenças - Ferrugem no 610 - AntonioBorba.com

Certamente, esse é outro problema de fábrica que mereceria um recall por parte da Garmin. Para consertar o defeito na assistência oficial, o custo é de R$ 580,00, pois, além da tampa, é trocada a bateria e os anéis de vedação. Considerando que esse relógio usado é vendido na faixa de R$ 800,00 a R$ 900,00, obviamente o conserto não compensaria, ainda mais imaginando que o problema possa acontecer novamente.

A Garmin resolveu isso no FR620 com uma caixa nova, feita em plástico. Na mesma foto, podemos perceber os parafusos que prendem a pulseira e o novo layout dos botões:

FR610 x FR620 - Diferenças - Tampa Traseira do 620 - AntonioBorba.com

Se alguma vez, suado do treino, você já falhou ao apertar um botão no 610, a boa novidade é que no 620 os botões foram completamente remodelados. Muito mais macios, eles respondem com precisão ao acionamento. De forma surpreendente, essa é outra grande melhoria que faz diferença na prática.

Talvez você também tenha notado que o 620 possui um botão a mais. O 4º botão tem uma função muito básica: mudar do modo relógio para o modo treino. Enquanto no 610 essa função estava dentro do ciclo de telas que mudavam com o toque no visor, agora é possível acionar o relógio pelo botão lateral. Como principal vantagem está a organização no momento dos treinos. Afinal, a tela de relógio ficava realmente “atrapalhando” entre as telas de métricas de corrida, principalmente para quem costumava ciclar entre elas durante o treino ou utilizar o auto scroll.

Diferenças Funcionais

Em relação às novas funções do FR620, se você leu meu post anterior, já sabe que são principalmente as Métricas HRM-Run: Cadence, Vertical Oscillation e Ground Control Time (GCT). O 620 também possui um display colorido, mas não darei ênfase para esse recurso pois as cores são fracas e de baixa qualidade, não evidenciando portanto, fator diferencial sobre o antigo display monocromático do 610. Nas propagandas da Garmin as cores são realçadas digitalmente. Isso me lembrou as propagandas de fast food, em que o sanduíche da foto é muito diferente do sanduíche real.

Entretanto, é importante observar que o 620 é cheio de pequenas funcionalidades que fazem muita diferença na hora dos treinos. Por exemplo: quem usa o 610 sabe que, ao terminar um treino, a “coisa não fica muito clara”. O correto, caso não transfira seu treino imediatamente para o computador, é segurar o botão lap/reset por 3 segundos para encerrar o treino atual. Quem executa a função nas primeiras vezes costuma ter a impressão de que o treino está sendo apagado, quando, na verdade, está apenas sendo salvo na memória.

Dessa maneira, caso o atleta execute duas sessões de treino sem baixar o anterior no computador, o FR610 vai perguntar se deseja salvar o treino anterior, o que é bastante estranho. Já no 620, essa questão é resolvida com simplicidade, fazendo pensar porque isso já não era assim antes:

FR610 x FR620 - Diferenças - Tela Save do 620 - AntonioBorba.com

A tela “Save” é automática e aparece logo após o treino. Perfeito.

Essas e outras melhorias levam à nítida versão de que a Garmin resolveu vários pequenos defeitos e problemas conceituais do 610, que herdava um software praticamente inalterado dos seus predecessores 305, 405 e 410. Agora estamos vendo pela primeira vez em muitos anos um software com verdadeiro upgrade de usabilidade.

Conectividade: a mudança de conceito

Até o modelo 610, eu era um usuário devoto do software Garmin Training Center, que permite baixar os treinos direto para o computador, não necessariamente passando pelo portal Garmin Connect. Mas eu já desconfiava de que ele não teria espaço para as novas métricas do 620.

Minha relutância em migrar para o ambiente online da Garmin é fácil de entender: quando eu comecei a usar GPS de corrida, na época o modelo 305, o Garmin Connect era péssimo: lento, bugado e problemático, além de ser pago. O Training Center era a melhor opção e por ter todos os meus treinos lá, eu sempre mantive o “legado” no desktop. Além do mais, eu gosto de tirar prints das tabelas do Training Center, que são mais concisas, e assinalar meus trechos de desempenho fraco ou forte através de um software como Photoshop. Veja, no exemplo a seguir, como eu marco meus treinos de tiro:

FR610 x FR620 - Diferenças - Treino no Training Center - AntonioBorba.com

Portanto, a primeira coisa que estranhei ao abrir a caixa do 620 foi a ausência do USB ANT Stick, que fazia a conexão do 610 com o computador. De forma surpreendente, a maneira de conectar o 620 ao computador é através do cabo USB, o que parece uma regressão.

É possível reparar, em uma das fotos anteriores que mostra a tampa traseira do 620, a presença de 4 contatos que conectam ao cabo do GPS ao computador, sendo dois deles para carregar a bateria e dois para estabelecer a conexão de dados. O modelo 610 possuía apenas dois contatos para carregar a bateria. No momento de transferir os treinos para o computador, tudo era feito wireless através do USB ANT Stick.

Porém, o que aparenta ser estranho logo ficou bastante claro: a Garmin deu os passos finais para migrar seus dispositivos para o ambiente online. O software Garmin Training Center, que não é atualizado desde 2011, deixou de ser mencionado no manual do 620, e o próprio site da Garmin torna difícil localizar o link para fazer seu download. Possivelmente, será descontinuado ao longo dos anos.

Mesmo assim, eu descobri que é possível passar meus treinos do GPS para o Training Center e até mesmo construir workouts e devolvê-los ao GPS, da mesma forma que antes. Porém, é necessário manter o cabo conectado ao FR620 durante toda a operação. Não há mais um cache temporário que o software Ant Agent criava para fazer a interligação entre o computador e o GPS.

Mas a Garmin está de parabéns: conseguiu acompanhar os avanços da era das mídias sociais e criou alternativas bem mais interessantes para a conectividade do FR620, assunto que vou tratar no meu próximo post.

Conclusão

Usuários do FR610: o upgrade para o FR620 compensa, não somente pelas métricas mas por todas as diferenças que a Garmin introduziu no novo modelo.

Se você conseguir vender seu 610 a um valor justo, que avalio como sendo em torno de R$ 800,00 a R$ 900,00, acredito que valha a pena considerar um upgrade para o novo 620.

Não perca meu próximo post sobre a conectividade do FR620, caso você não esteja inteiramente convencido do upgrade.

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