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Garmin Forerunner 620 – Alta Tecnologia em GPS Fitness


Garmin Forerunner 620, ou somente FR620, é o último lançamento da Garmin em GPS Fitness ou, mais precisamente, para corridas de rua e ciclismo. Prometendo a mais alta tecnologia já vista em um GPS de pulso, o FR620 traz uma novidade chamada HRM-Run – trata-se de um acelerômetro instalado dentro da cinta medidora de frequência cardíaca que monitora as seguintes métricas:

  • Cadência: em passos por minuto
  • Oscilação Vertical: medida em cm, é a distância que seu corpo se movimenta verticalmente a cada passada
  • Contato com o Solo: registrado em milissegundos, é o tempo que seu pé fica em contato com o chão a cada passada.

Garmin FR620 - Embalagem Original - AntonioBorba.com

Eu comprei meu FR620 na loja GPS Store tão logo foi lançado no Brasil. Recomendo o fornecedor, pois é uma revenda oficial que vende produtos originais da Garmin com garantia nacional. A assistência técnica é prestada por uma empresa do mesmo grupo, a Teodonível.

Acompanhe a seguir todas as novidades do GPS que testei em primeira mão.

Principais características do FR620

O kit completo do GPS da Garmin contém, além do FR620, os seguintes itens:

  • Nova cinta com tecido: muito confortável, a cinta do modelo 620 possui um tecido cinza. É a melhor que já usei.
  • Transmissor HRM-Run: atenção, há uma versão econômica que não acompanha o HRM-Run, portanto verifique antes de comprar. O transmissor que possui acelerômetro é identificado pelo símbolo em branco do homem correndo – na foto, está ligeiramente escondido atrás da fivela do GPS
  • Cabo GPS: completamente diferente dos modelos anteriores, com encaixe proprietário no aparelho de pulso
  • Manuais: em diversos idiomas, certamente servem para tornar a caixa mais pesada.

Garmin FR620 - Kit Completo - AntonioBorba.com

A primeira característica notável do aparelho é que, além de leve, seu design é completamente novo. A pulseira é feita em um plástico macio que proporciona um excelente conforto, ao contrário do material mais rígido dos modelos anteriores. Um sistema especial de fixação no corpo do relógio permite a abertura completa da pulseira. Os botões também foram remodelados e são muito macios, resultando em maior precisão no acionamento. A tampa inferior é de plástico, eliminando o problema de ferrugem que ocorria no modelo 610. Em resumo, é um aparelho totalmente original.

Garmin FR620 - Tampa Traseira - AntonioBorba.com

Porém, o mais importante são as novas funções do FR620, certo? Portanto, vamos direto ao assunto. Neste post não vou falar das funções básicas de um GPS de corridas como marcação de velocidade/pace, workouts, etc. Se você quiser saber mais sobre elas, leia meus artigos sobre os modelos anteriores Forerunner 610 e Forerunner 410.

Métricas avançadas HRM-Run

Vamos a elas! As métricas são o grande atrativo do novo 620, e elas são exibidas em uma tela especial chamada Running Dynamics que pode ser ativada ou desativada de acordo com a preferência do usuário. Já que ela só aparece após a ativação de um treino, eu roubei um print dessa tela do DC Rainmaker, que é a verdadeira autoridade em GPS Fitness e escreveu um review detalhadíssimo sobre o FR620 (aviso: texto em inglês e muito longo):

Garmin FR620 - Métricas HRM-Run - AntonioBorba.com

Garmin FR620 - Métricas HRM-Run App - AntonioBorba.com

Na foto acima, é possível ver claramente as métricas Cadence, GCT (Ground Contact Time) e Vertical Oscillation.

Meu primeiro teste real foi um treino médio de 6K a pace sub-5. A seguir, você lerá um pouco sobre cada métrica e os valores que eu encontrei.

Obs.: o gráfico à esquerda é um print do app Garmin disponível para Android e iOS – veremos mais a respeito dele na sequência.

Cadência: média de 163 spm (steps per minute ou passos por minuto). É importante para otimizar a corrida obter um alto número de passos. Corredores iniciantes tendem a projetar passos longos, aumentando o impacto e diminuindo a eficiência. Porém, essa métrica está diretamente relacionada à velocidade.

Oscilação Vertical: 8.8 cm. É fundamental que o corredor possa projetar seu esforço na horizontal, minimizando o “bounce” ou oscilação vertical. Eu pude perceber claramente que no início do meu treino essa métrica permanecia em 8,4cm, aumentando para mais de 9cm ao final, quando estava cansado e a técnica de corrida degenerava.

Ground Control Time: 266 ms. O GCT é um importante indicador de eficiência considerando que quanto menor o tempo de contato com o solo, maior é a eficiência da passada.

Em resumo, as métricas são interessantes, porém temo que devam sofrer pouca variação ao longo dos treinos, sendo possivelmente características difíceis de serem mudadas.

Vale imaginar como os técnicos de assessorias esportivas poderão estudar e tirar proveito dessas informações para aperfeiçoar o treino de seus alunos.

Eu mal vejo a hora de realizar um treino forte com tiros a pace sub-3 para poder avaliar como estão as minhas métricas. Afinal, em velocidades mais altas, elas fazem toda a diferença na performance.

Em tempo, a Garmin disponibiliza uma tabela que relaciona as métricas com o condicionamento de cada atleta, com as mesmas cores da tela do GPS.

A escala vai do vermelho (possivelmente uma técnica ruim), passando pelo verde (mediana) até o roxo (excelente). Minhas métricas ficaram situadas todas na faixa verde:

Garmin FR620 - Tabela para Métricas HRM-Run - AntonioBorba.com

Fica a dúvida: até que ponto o cansaço tem relação com essas métricas, uma vez que nesse dia em especial eu estava bastante esgotado e com sono atrasado? Isso saberemos nos próximos treinos com variações de estímulos. Para obter maiores detalhes, aqui vai o link para meu treino completo no Garmin Connect.

A partir dessas métricas, o FR620 se dispõe a fornecer dados sobre VO2 máximo estimado (obtido através de um algoritmo) e, com base no VO2, uma previsão de tempo para diversas provas:

Garmin FR620 - VO2 Max - AntonioBorba.com

Garmin FR620 - Race Predictor - AntonioBorba.com

Cabe observar que o resultado do VO2 pode não ser preciso, a não ser que o treino seja feito em uma boa condição de descanso. Afinal de contas, em 2013 eu realizei um exame de ergoespirometria – esse sim com precisão científica e feito em uma esteira com sensores adequados – em que meu VO2 acusou 57, enquanto um exame anterior chegou a 61 ml. Embora o VO2 possa sofrer variação, ele possui um componente genético e não poderia modificar tanto. Portanto, ao longo dos próximos treinos, veremos como essa métrica se comportará.

A previsão de tempos de prova é feita tão somente com base em uma tabela que relaciona o VO2 com tempos aproximados, considerando a idade do corredor. Portanto, ela não leva em conta fatores como preparação muscular ou treinamento específico para certo tempo de prova. No caso acima, cabe dizer que meu tempo nos 5K já chegou a 20min, enquanto que, mesmo que eu queira fazer uma maratona, não tenho condicionamento físico nem preparo para atingir o tempo  sugerido de 3h31m. Também estou curioso portanto, de observar como esses números previstos irão mudar com o acúmulo dos treinos.

Por fim, a última métrica digna de destaque é o tempo de recuperação – ainda preciso entender como isso é calculado pois, logo após o treino, ao verificar o tempo sugerido de 72 horas, fiquei espantado. Meu primeiro pensamento foi: “esse relógio deve estar achando que estou muito fora de forma“. A cada vez que essa métrica é acessada, ela mostra uma contagem regressiva de quanto falta para a recuperação completa:

Garmin FR620 - Recovery Time - AntonioBorba.com

Bullying digital à parte, essa métrica precisa ser melhor compreendida, pois me parece um pouco irreal, e percebi que nos testes do Rainmaker foi sugerido o mesmo tempo para ele.

Gamificação

Um recurso muito interessante do FR620 eu chamei de gamificação. Para entender melhor esse conceito, sugiro a leitura do artigo no Magic Blog a respeito. Basicamente, trata-se de uma forma de incentivo ao uso através da aferição de badges a cada conquista ou meta superada.

O FR620 faz isso de uma forma muito interessante – novamente, “emprestei” as imagens do Rainmaker pois fiz apenas um treino com o GPS até este momento. Tudo começa após o treino, com a tela de “Save“. Há a opção de manter ou descartar o resultado, o que é muito interessante para eliminar falsas marcações, como por exemplo, apertar o start sem querer:

Garmin FR620 - Save Screen - AntonioBorba.com

Em seguida, o equipamento analisa seus resultados anteriores e concede uma medalha virtual para cada conquista, podendo haver várias na mesma sessão de treino. Teoricamente, o relógio também baixa seus resultados anteriores do Garmin Connect para incluir na comparação, o que não deixa de ser divertido:

Garmin FR620 - Longest Run - AntonioBorba.com

Garmin FR620 - Fastest Mile - AntonioBorba.com

 

Conectividade e Conclusões Finais

Outras funções excepcionais do FR620 referem-se à conectividade e aos recursos para transferência de dados, sendo esse o GPS mais interativo da Garmin até o presente momento. Porém, isso será tema de outro artigo em que tratarei do assunto em detalhes. Também escrevi um post a respeito das diferenças entre o 620 e o 610, para que usuários do modelo mais antigo possam considerar se vale fazer o upgrade.

A questão é: com preços tomados de um revendedor oficial como a GPS Store, temos o FR410 a R$ 1.000,00, o FR610 a R$ 1.440,00 e o FR620 a R$ 1.700,00. Nesse cenário, fica claro que, para o usuário iniciante ou que não fica mexendo em recursos durante os treinos, o 410 é mais vantajoso, pois as funções básicas de métricas de corrida estão todas lá. O única aspecto que não gosto no 410 é o fato de que o aro é temperamental e difícil de controlar no touch (fora o fato de estar saindo de linha). Há modelos ainda mais básicos na faixa de R$ 600,00, porém não me agrada a limitada funcionalidade que apresentam.

Já para o usuário que deseja um GPS melhor de lidar diretamente “em campo” e configurar durante os treinos, o ideal é sair da linha de aros touch que encerra no 410 e partir para a série de display touch que inicia no 610. Mas aí vem a questão crucial: por menos de R$ 300,00 de diferença, você não ficaria com o 620?

Para complicar um pouco mais a situação, a Garmin também lançou no Brasil o FR220 a R$ 1.300,00, que traz visor colorido com o novo software do 620, exceto que o display não é touch, sendo a navegação feita através de botões. E claro, também não dispõe das métricas avançadas. Na minha opinião, o valor ainda está considerando a falta de recursos. Aparentemente para compensar isso, o GPS foi lançado com cores atraentes, visando posicionar o produto para um público feminino.

Concluindo, se fosse apenas pelas métricas avançadas, eu diria que poucos atletas vão realmente tirar proveito do FR620. Fato é que o novo GPS é melhor que o 610 em muitos aspectos, portanto, eu jamais consideraria comprar o 610 com uma diferença de valores tão baixa. No meu ponto de vista, o posicionamento de mercado do 610 deveria ser em torno de R$ 1.200,00, com o 410 custando cerca de R$ 850,00. Aí sim teríamos patamares bem distintos de preços x recursos.

Recomendação final: escolha o 410 ou vá direto para o 620. Lembre-se que o 410 está saindo de linha, mas ainda vale a pena pelos recursos apresentados.

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