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Índio Quer Comprar

Índio Quer Comprar - AntonioBorba.comA economia está em alta e há falta de mão-de-obra para preencher diversas vagas, das mais básicas às mais especializadas. Ainda assim, o empresário brasileiro vende menos do que pode devido à mentalidade tacanha de boa parte deles, somada à tendência atual de reduzir os estoques. Parece que capital de giro não serve mais para fazer estoque, o sonho de consumo do empresário tupiniquim é a venda programada. Ele não cria demanda. Momentos como esse me fazem respeitar o capitalismo americano e as vendas volumosas resultantes da agressividade das suas empresas.

Vou citar alguns exemplos de provincianismo, que aliados à forte tendência tribal de Curitiba, tornam a experiência de querer comprar qualquer coisa um exercício de paciência, para dizer o mínimo. Todos os casos ocorreram nos últimos sete dias.

Caso 1: Jorge Bischoff
Fui ao shopping, cacei vigorosamente uma vaga no estacionamento lotado e cheguei à loja com objetivo de comprar um sapato feminino para presente de aniversário e, se possível, um sapato para mim (masculino, claro, também vendido na loja). Escolhi o sapato feminino: preto, em camurça, de salto, modelo básico, nada fora do comum. Não havia numeração. A vendedora liga para outra loja: também não havia numeração. Perguntei se seria coleção antiga, a vendedora explicou-me que na verdade era coleção nova, havia acabado de chegar mas em pouca quantidade. Desisti e fui aos sapatos masculinos, percebi que só havia um modelo em marrom. Perguntei se havia uma opção de sapato “preto” (de novo: não é difícil!) e a vendedora falou “ainda estamos recebendo a coleção”. Desisti, fui à Carmen Steffens e comprei o presente feminino, pois lá havia um sapato de salto, preto de camurça, em todas as numerações. Quando perguntei à vendedora “mas tem numeração?”, ela respondeu com certo riso e naturalidade “claro!”. Jorge Bischoff não é uma loja tão exclusiva assim e é a segunda vez que passo pelo mesmo problema. Isso se chama amadorismo.

Caso 2: Casa das Canetas
Durante a semana, eu estava em outro shopping, a trabalho, e lembrei que precisava de uma caneta, pois a minha Waterman havia quebrado. Entrei na loja, escolhi o modelo e pedi para levar. O vendedor explicou que a internet estava fora e não conseguiria fazer a venda (via cartão), mesmo assim tentou e não conseguiu. Após levar 2 minutos para escolher o modelo e mais 10 minutos aguardando o vendedor tentar concluir a operação, sugeri pagar em cheque, ainda que contrariado. Mais contrariado ainda fiquei com a resposta dele, que “a política de vendas da Casa das Canetas não aceita pagamentos em cheque“. Presumo que isto seja verdade mesmo que eles não consigam passar o cartão, ou seja, eles preferem perder a venda. Saí da loja imediatamente, a Casa das Canetas é notória pelo amadorismo. Tente consertar qualquer caneta com eles e você verá o tempo de espera. Cadê a concorrência quando precisamos? Ah, esqueci, é Curitiba.

Caso 3: M Martan
Esta deveria ser fácil: eu só precisava de um travesseiro novo. Não uma dúzia, apenas um. Entrei na loja, olhei os modelos, e com o auxílio da vendedora rapidamente achei o que precisava. Pedi para levar e a vendedora falou que não tinha em estoque porque geralmente vendem sob encomenda, coisa e tal…”Pera aí”…estamos falando de um mísero travesseiro de R$ 80,00 – sob encomenda? Não pode ter em estoque? Ainda assim, do alto da minha paciência, falei que tudo bem, que eu iria encomendar se ela entregasse em meu escritório. Após me olhar como se eu fosse um alienígena pelo simples fato de eu não querer voltar à loja deles, ela concordou, mas aí começou uma conversa estranha entre as moças da loja, algo como “não aceita PA” ou “não aceita PI”. Eu não estava decifrando mas sabia que viria bomba. Então a moça do caixa me explicou que não poderia fazer o pedido porque o item estava “bloqueado para pedidos no sistema“. Aí eu perguntei “como eu faço para comprar“? Meio sem jeito, não sabiam o que falar, ficaram mudas. Saí da loja, até agora sem entender porque motivo me mostraram um produto que não pode ser vendido. Caso máximo de empresa incompetente. Se não conseguem vender um travesseiro, não é lá que vou comprar um enxoval.

Eu poderia ir além…e-commerces com problema é o que mais existe. Estes dias, tentei comprar um presente através da loja virtual da Claude Bergere. Já não uso cartão porque sei que lá o sistema é bugado. Mas desta vez deu erro até no boleto. Mandei um e-mail perguntando como faria para pagar e recebi a resposta de que o sistema estava com problema e não havia prazo para resolver. Confesso que não entendi. Perguntei novamente “como faço parar comprar de vocês?” e não obtive resposta.

Recentemente, também recebi um erro ao tentar comprar do Groupon. Erro de sistema ao tentar passar o cartão e nem havia local para reclamar ou pedir suporte técnico. Claro que desisti da compra.

Até mesmo na farmácia: ao comprar um colírio lubrificante, que uso mensalmente, tentei comprar dois para não precisar voltar no mês seguinte…e não havia estoque. Descobri que há determinados itens que a rede Minerva/Nissei só guarda um de cada. Deve ser para não vender mesmo. E não vamos entrar no caso do supermercado, pois conforme falei no post “Por que é tão Difícil Comprar o que Queremos?“, acho que este é um caso perdido.

Empresariado brasileiro é isso: amadorismo pra todo lado. Continuo perdendo tempo e fazendo um esforço tremendo quando preciso comprar algo.

Índio quer comprar. Homem branco não quer vender.

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