Categorias: Traumas Tecnológicos

Minha Longa e Traumática Migração do Palm Treo – Parte 2

Parte 2: Nokia N97 mini

Continuação da Parte 1: Que Aparelho Escolher?

Nokia N97 mini - vista traseiraApós a longa introdução que fiz a respeito da minha resistência, não de todo infundada, em mudar de celular, eu finalmente comprei um Nokia N97 mini, aparelho na época recém lançado que tinha tudo o que parecia ser necessário em um equipamento de ponta: 3G, Bluetooth bem implementado, teclado, tela touch (com vibração ao toque) e agenda integrada com serviço on-line (OVI, da Nokia), entre outros. Alguns recursos como vibração na tela são raramente encontrados em algum celular e tornam o uso do touch muito mais prático.

Nokia n97 mini - aberto

Minha primeira reação ao usar o celular foi observar como ele se comportava, fazendo testes isolados na agenda do celular e sincronia com a agenda on-line do OVI, que é o site oficial da Nokia, teoricamente, uma “interface on-line” do celular, e também utilizando o “Nokia Ovi Suite”, que é o software da Nokia para conexão e sincronia com PC.

Limitações da OVI

Não demorou muito para descobrir algumas limitações das plataformas fornecidas. A Ovi como plataforma on-line possui vários problemas, entre eles: lentidão, travamentos, bugs de sincronização com perda de dados, falta de sincronia entre grupos de telefones e diversos outros.

Já a Ovi Suite (a ferramenta PC) tem limitações talvez mais sérias: falta de um calendário próprio (opção: usar on-line ou Outlook), grupos da agenda não sincronizados e outros, como por exemplo, sincronizar todas suas fotos ou vídeos mesmo que você marque para não fazê-los. Aquelas fotos cuidadosamente guardadas e catalogadas, serão todas expostas randomicamente no software da Nokia.

Bem, isto foi o começo. Além do mais, o N97 não tinha softwares adequados para migração de dados de antigos celulares, sem contar que não suporta memos ou notas. Além disso, não havia nenhuma forma de criptografar dados sensíveis. Uma pesquisa pela loja da Ovi, logo me trouxe a solução: achei dois excelentes softwares de criptografia, o Best Safe e o Best Jotter, ambos parecidos mas ligeiramente diferentes, através dos quais cadastrei todos os meus cartões de crédito, senhas e dados sigilosos, o que tomou, possivelmente, um sábado inteiro (ou mais).

Penosa Migração

Tarefa feita, passei para a migração de calendário. Logo se tornou muito evidente que o calendário é um ponto fraco deste celular. Com certeza, ele não foi feito para usuários corporativos, é difícil de editar e inserir compromissos, enfim, dá muito trabalho. Isto sem contar que a plataforma on-line, pela lentidão e pelos bugs, se mostrou nada confiável. Após alguns testes, concluí que a sincronização com Outloook seria muito melhor e passei a usá-lo como apoio desktop às minhas tarefas.

A sincronização via Outlook se mostrou, por sinal, obrigatória. Afinal, tanto o Nokia Ovi Suite quando a plataforma on-line, não possuem nenhum mecanismo de importação de dados. A única alternativa foi sincronizar via Outlook, o que me levou a um processo de várias horas (mesmo) para tirar 10 anos de calendário do meu Palm, ajustar no Outlook (a sincronização travou várias vezes), limpar alguns lixos e desativar mais de 1.000 alarmes/reminders de “overdue”, ou seja, tarefas já passadas. Este processo levou “muito tempo”.

Calendário resolvido, passei para a migração da agenda de telefone. Aqui, uma surpresa terrível me aguardava. Primeiro, o Outlook bagunçou sensivelmente minha agenda do Palm. Segundo, ao passar meus 2.500 contatos para o Nokia, ele simplesmente surtou. Começou a acusar erros de memória, de forma que tive que resetar o aparelho e recuperar um backup (que por sorte e neurose, eu fiz antes da migração).

A solução, como não havia nenhum gerenciador de importação capaz de definir apenas um grupo ou categoria, foi cadastrar manualmente 10% dos dados, ou seja, os 250 contatos mais importantes, manualmente. Para isso, desativei a sincronia via Nokia Ovi Suite e utilizei a plataforma on-line. Levei uns dois dias para colocar tudo em ordem, fazendo aos poucos durante a noite e finais de semana, e finalmente concluí a migração, embora com menos dados do que eu gostaria. Passei a usar o Outlook como fonte de pesquisa de contato, comente via computador.

Se você acha que terminou por aqui, garanto que não… pois logo percebi que o N97 era um celular cheio de bugs.

A saga continua! Confira na parte 3 desta série.

15 comentários em Minha Longa e Traumática Migração do Palm Treo – Parte 2

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15 Respostas para Minha Longa e Traumática Migração do Palm Treo – Parte 2

  1. Viky disse:

    Antonio…
    Moral da história, você hoje usa um BlackBerry e está gostando mesmo da agenda, é isso?

  2. viky lorenna disse:

    Uso o palm a cerca de 4 anos. Já é o meu segundo aparelho.
    Não consigo me ver utilizando outro aparelho… Utilizo muito a agenda que é a mais próxima das de papel e o Documents OS principalmente para excel…
    Não estou conseguindo me identificar com nenhum desses novos aparelhos.
    Confesso que ainda estou no parte 1 da sua Migração…
    Abraços.

  3. Carlos Andrade disse:

    Caro Borba
    Recentemente presentei minha esposa com um Nokia. Minha mulher não disse nada de mal contra o celular, mas pude constatar que ela achou o celular prá lá de confuso .
    Nokia? Fuja!

    • Antonio Borba disse:

      Olá Carlos, é impressionante isto, considerando que antes desta era multimídia, o Nokia era considerado o celular mais fácil de mexer, dava banho nos Motorolas e detinha a hegemonia mundial. Onde foi que eles erraram? O Nokia é uma sombra do que era, de fato. Obrigado por compartilhar! Abraços.

  4. Andz disse:

    Sempre gostei muito dos telefones da Nokia, tive 4 seguidos, mas o que sempre gostei era do hardware porque nunca “usei” muito o telefone se não para o basicão de falar e mandar mensagens. No máximo o último que também usava como MP3 player e tirar fotos ou videos quando não tinha uma câmera verdadeira em mãos, que também eram de boa qualidade. Neste natal me presenteei com Galaxy da Samsung, foi mais pelo Android que pelo hardware e estou bem contente com a integração dele com a minha conta do google.

    • Antonio Borba disse:

      Olá Anderson, tudo bem? Já ouvi muitas opiniões favoráveis sobre o Android, mas também já ouvi alguns comentários sobre o fato dele estar meio imaturo. Eu acabei no BlackBerry afinal de contas, que gosto muito. O Android tem uma grande chance de dominar o mundo devido ao Google, claro 🙂 Abraços e obrigado por compartilhar sua opinião!

      • Andz disse:

        Pois é ainda usei pouco para opinar sobre o Android. Até agora o que encontrei que não consegui solucionar foi:

        1 – Não consigo editar contatos que estão no cartão SIM. Ou melhor, deixa editar mas não salva a alteração. Não sei se isso tem a ver com o OS ou o fato do aparelho ser de outra operadora.

        2 – Parece que os fabricantes não disponibilizam update do Android… normalmente tentam te empurrar um aparelho novo com o OS novo.

        Fora isso tá tudo beleza, gosto de poder instalar qualquer coisa nele, não necessitando estar preso a aplicativos do Market

        Abraço!

        • Antonio Borba disse:

          Anderson, esta do update é estranha. Mas por um lado, cada vez que faço upgrade de OS no meu BlackBerry, tenho que recuperar todos os dados do backup… perco tudo. E geralmente, ao recuperar, começa a travar, incomoda bastante. Sempre alguma coisa dá errado. De hoje em diante, nunca mais vou atualizar o OS, já decidi isso.

  5. José Luiz Garcia disse:

    Esse é o problema de migrar de plataforma, a sempre temida e certa incompatibilidade, que nos obriga a inventar maneiras nunca práticas e nem sempre confiáveis de portar os dados para o novo equipamento. Quando os dados são poucos, dá pra fazer na mão, mas no seu caso, melhor seria contratar uma empresa… 🙂 Acho que acabei de inventar um novo tipo de negócio de “T.I. pessoal”!

    • Antonio Borba disse:

      Olá Garcia, obrigado por sua nova participação! Creio que você inventou um negócio SIM, eu adoraria pagar para alguém fazer o “negócio sujo” por mim – rsrs – creio que uma pessoa com profundo conhecimento poderia fazer isso, o maior problema que vejo é: não é um trabalho para “jockeys”, se é que me entende. E pagar para um profissional certificado conduzir o processo pode facilmente custar uma fração considerável do valor pago no novo aparelho. Será que alguém “compraria” esta idéia? 🙂 Depois que o cara tentou sozinho, colocou a mão na massa e já deu m*, aí ele está na roça e continua! Abraços!

  6. Diego S disse:

    a plataforma symbian esta morta, infelizmente, como acusam dados de pesquisas. so nao consigo entender como ha tantos symbian ainda sendo vendidos. e concordo com vc no q diz respeito ao software da nokia: ja foi melhor, hoje eh lixo

    • Antonio Borba disse:

      Olá Diego, tudo bem? Excelente comentário – na verdade, a Nokia “camufla” e “alavanca” os números mandando o Symbian embutido em vários aparelhos mais básicos, nem sempre smartphones legítimos, voltados para verdadeiros usuários. Desta forma, os números de Symbian mostrados são bem mais altos do que o uso na prática. Sem contar que a Nokia tem grande força na Europa. Concordo que a plataforma poderia ser melhor. Há várias coisas que não gostei nela. Abraços.

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