Y: Geração de Fracassados em Potencial?


O título deste post pode parecer estranho e chocante para as pessoas que consideravam, até pouco tempo atrás, a tão falada Geração Y como símbolo de sucesso, composta por jovens supercapazes, superantenados e multitarefas, capazes de ver TV, acessar a web e ouvir música, tudo ao mesmo tempo.

Para um pai que é pouco familiarizado com a informática, ou ainda, não domina as habilidades do mundo digital da mesma forma que os mais jovens, como pensar que o filho com raciocínio ultrarrápido, habilidades jamais vistas em videogames, tablets e incontáveis janelas de chat escritas em internetês não seja, realmente, uma pessoa muito ESPECIAL?

Y: Geração de Fracassados em Potencial? AntonioBorba.com

O problema é justamente a ênfase dada a esta palavra: “especial“. Afinal de contas, se todos são especiais, então não há diferencial algum entre as pessoas, apenas a maçante normalidade absoluta. E quando essa geração dá de cara com a vida real e a necessidade de trabalhar, a falta de habilidades sociais e as altas expectativas sobre si mesmos demonstram de forma clara, a muitos, que não são tão especiais quanto imaginam. Essa situação gera uma quebra de expectativas que leva à brutal tristeza de uma realidade para a qual não foram preparados.

Para não ter que explicar em detalhes todo o mecanismo por trás disso, é recomendável para os não familiarizados com o assunto que leiam o post do youPIX Por que a Geração Y é infeliz? e, com um pouco mais de ânimo, o formidável artigo em inglês do Huffington Post que originou todo esse debate.

Como isso transparece nas mídias sociais

Se você leu os posts indicados, já sabe que a Geração Y tem uma estimativa muita alta de si; de forma geral, não está preparada para a realidade e tampouco quer trabalhar tanto quanto a geração anterior, pois espera que o mundo reconheça o quanto é especial.

Isso é perfeitamente possível de acompanhar nas mídias sociais, principalmente naquelas que permitem imagens, como Facebook e Instagram, em que muitas pessoas adotam comportamentos voltados à autoafirmação, ao enaltecimento e ao falso reconhecimento social.

Autoafirmação e enaltecimento são fáceis de perceber – vemos diariamente posts no melhor estilo “Pense numa pessoa muito feliz” ou ainda declarações exacerbadas de amor a uma pessoa como se ela estivesse “tornando sua vida repleta de uma felicidade mágica nunca antes vista“, para não citar outros exemplos correlatos.

Os casos acima retratam situações que nunca deveriam ou nunca precisariam ser expostas em uma mídia social, pois tornam-se meramente uma afirmação para outras pessoas. Aquelas que realmente acreditam nisso poderão ficar com inveja e isso nada trará de bom à vida de quem se declara tão realizado. Porém, as pessoas que afirmam isso com todas as letras são justamente aquelas que precisam acreditar na própria mentira – afinal, não existe nada tão maravilhoso e tão especial na vida da maioria das pessoas. Isso sem contar que a felicidade é composta de momentos. Falando nisso, aqueles momentos tão felizes que o completam como pessoa certamente não precisam ser bradados no seu Facebook.

Um artigo excelente sobre isso é 6 tipos de posts insuportáveis e desnecessários no Facebook, também do youPIX.

E o falso reconhecimento social?

Fakebook - Falso Reconhecimento Social - AntonioBorba.comEu costumo chamar de “falso reconhecimento social” o mecanismo pelo qual as pessoas curtem e dizem “amém” ao que outra pessoa posta pelo simples fato de que ninguém tem coragem de dizer que aquilo é uma grande besteira. Pessoas que pertencem a um mesmo grupo ou organização costumam apoiar e reforçar os sentimentos de seus pares, por mais estúpido que seja o comentário, pelo simples fato de acolher a pessoa ou por falta de algo melhor para fazer.

Um exemplo desse tipo de post eu vi esses dias, vindo de um amigo que declarou algo sobre a possibilidade de o “sol iluminar nossos caminhos e nossas vidas” pelo simples fato de que experimentamos um dia ensolarado após alguns dias de frio e chuva. Oras, eu adoro sol, mas jamais daria uma dimensão metafísica desproporcional ao simples fato de vivenciar um dia ensolarado. Dizem que o sol é um artefato estranho para os habitantes de Curitiba, mas aí já é demais.

Exceto pelo meu comentário dizendo que a frase foi “meio gay” (sem preconceitos, porém tirando sarro), todas as outras pessoas curtiram (mais de 40!) e deixaram comentários com variações de aplicação da palavra “amém“, denotando rapidamente o círculo religioso formado ao redor de uma afirmação, a meu ver, mal colocada.

O falso reconhecimento social é isso. As pessoas não concordam ou internamente desejam criticar o post social mas não o fazem por receio de serem mal interpretadas, criar uma rusga ou ainda ter que discordar da massa de pessoas que está curtindo a ideia. Por mais que você possa não concordar com a minha anteposição ao post utilizado como exemplo, o importante é explicar o conceito do falso reconhecimento. Talvez meu amigo tenha apenas se expressado mal ou exagerado na empolgação, mas será que as 40 pessoas que curtiram realmente adoraram o que ele falou, de forma sincera?

Curtir e promover as pessoas do mesmo círculo é um artifício consciente ou inconsciente que faz parte de um mesmo círculo vicioso de autoafirmação entre pares que acabam expressando uma imagem irreal e não autêntica de si mesmos.

Isso apenas se agrava com a baixa tolerância a críticas e à oposição de ideias que é característica primordial da Geração Y, conduzindo as pessoas a um ambiente chato e monótono através dos filtros sociais (leia esse post a respeito).

E o que acontece com a Luana, afinal?

Bem, “Luana” é o tipo de estereótipo da Geração Y, uma menina que se considera muito, mas muito especial. Por se considerar tão especial, Luana acredita sinceramente que as amigas a invejam e por conta disso desenvolveu uma espécie muito chata de síndrome de perseguição que ela faz questão de levar a público nas mídias sociais.

E aqui vai um recado para Luana, utilizado muito bem pela fanpage Este é Alguém:

Calma aí, Luana! AntonioBorba.com

Só falta mesmo a moral da história, que pode ser através de dois conselhos:

PAIS: não fiquem dizendo aos seus filhos que eles são os melhores do mundo. Eduquem-nos para a vida!

GEN Y: por favor, aprendam que seu valor na vida só virá depois que vocês demonstrarem sua capacidade através de muito trabalho, a não ser que vocês tenham muita sorte ou sejam Steve Jobs. Quais são as chances?

10 comentários em Y: Geração de Fracassados em Potencial?

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10 Respostas para Y: Geração de Fracassados em Potencial?

  1. igor disse:

    tipo hj n exixte mais infância ficam td nos smartphones

  2. Lain disse:

    Todas as gerações podem se tornar fracassadas com o Facebook, não é exclusividade da Y.

  3. Rodrigo disse:

    Na realidade o que eu acho ruim é o fato da geração Y ter um ego maior que o mundo e, como mencionado nos textos indicados, falta à habilidade de conversar com as pessoas cara a cara, principalmente no ambiente de trabalho.
    Como eu estou na transição da X para Y vejo uma vantagem com relação a algumas situações, mas daí ser especial é outra coisa. O melhor de tudo é saber que existe realmente um perfil, e vai de saber aproveitar isso para tirar o melhor de cada geração ou pessoa.
    Ótimo artigo, parabéns! Ahhh e obrigado pela revista, realmente muito bem diagramada e impressa.

  4. Simone disse:

    Boa tarde Borba! Interessante…há muito tempo tenho conversado a respeito com amigos e colegas de trabalho. Me incomoda muito alguns hábitos cibernéticos…confesso que me sinto cansada só em imaginar a tentativa de manter-me inteirada de todas as novas formas de convivência social virtual…na verdade, vejo uma decadência nas relações sociais e um grande perigo na formação de nossos jovens e no desenvolvimento dos adultos, afinal ninguém é tão especial assim, como você tão bem pontua, a vida não e mega e muito menos cinematográfica, mas vejo as pessoas perderem-se nesta ilusão, tão bem montada e mantida nas mídias sociais, tão em alta…me parece que se alguém não possuiu facebook ou passa alguns dias, e as vezes, algumas horas sem acessar, postar ou curtir nada, é como se deixasse de pertencer a algo extremamente essencial e vital para a existência…é um exagero em todos os sentidos…e um paradoxo…evoluímos tanto tecnologicamente, cientificamente, intelectualmente, porém, não se faz acompanhar o desenvolvimento emocional, moral, existencial e espiritual ( e aqui não estou me referindo a religiões). As pessoas passam a acreditar e a buscar sem qualquer senso crítico, nos grandes eventos empolgantes e “especiais” que as pessoas mega power especiais estão vivendo em suas super vidas…mas a realidade é tão outra… e o que temos para hoje são seres imaturos, inábeis socialmente, vazios, empobrecidos, fracos…cadê a resiliência desse povo mega? Poderia passar horas aqui escrevendo…mas desculpe…a vida real me chama…(risos), só para finalizar…você sabia que os consultórios psicológicos estão repletos de pessoas com quadros ansiosos em virtude da necessidade imediática de estar conectado 24 horas? Abraços!

    • Antonio Borba disse:

      Simone, ótimo comentário. Certamente a Internet torna as pessoas ansiosas, em menor ou maior grau. Concordo plenamente e não duvido disso, só não poderia imaginar que já representava um grande contingente nos consultórios… Abraços!

  5. Mauri disse:

    A parte onde diz que a nova geração não está preparada pro trabalho duro, me fez lembrar alguns comentários que fazem a respeito de mim, para mim.
    Vez ou outra, após um fatídico dia de trabalho, comento do meu cansaço, me indagam: “Você cansado? Só vejo você andando de carro o dia inteiro!” Ou então: “Não sabia que só dirigir caminhão cansava!”
    Cara, é foda andar correndo contra o tempo o dia inteiro, com dezenas de compromissos por dia. E bem no meio dessa correria toda, vejo essa geração Y com uma certa inveja! Como eu queria ter um tempinho pra não fazer nada, como eles!
    No mais, excelente artigo!

    • Antonio Borba disse:

      “Não sabia que cansava” é foda. Mas meu caro, não fazer nada hoje significa fazer o dobro amanhã. Certamente a parte preguiçosa da Gen Y vai ter muito trabalho para se manter no futuro, a não ser que pretenda viver de herança.

  6. Ulisses disse:

    O especial, na verdade, tem o mesmo sentido em “special olympics”. Eu sempre digo que é uma geração de retardados.
    No mais, serve um belo conselho do Dollynho para essa geração:
    “NINGUÉM TEM INVEJA DESSA SUA VIDA LIXO”.

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