Web Sites: A Regressão da Tecnologia Móvel


As redes sociais representam mídias tão onipresentes em nossa sociedade que poucas pessoas se perguntam onde foi parar a boa experiência de navegação, a evolução tecnológica do design de web sites.

Especialistas discutem, e com razão, sobre o fato de que, presos na dinastia de celulares e dispositivos móveis (e com boa parte da culpa recaindo sobre a Apple), estamos experimentando interfaces cada vez mais pobres, em uma franca regressão ao estado de desenvolvimento de muitos anos atrás. É fato que os web sites estão cada vez mais chatos (confira o artigo da The Next Web).

Web Sites: A Regressão da Tecnologia Móvel

A briga é entre forma e função: atualmente, o conteúdo é o rei e o design é secundário. Os displays de computadores, portanto, pararam de evoluir em resolução de tela (quem precisa de 4 ou 5K?), isso considerando quem ainda utiliza uma tela LCD, restrita cada vez mais a nichos corporativos e menos ao ambiente doméstico.

Web Design: um breve panorama

Em 1995, a internet chegava ao Brasil. Os web sites primários da época eram limitados meramente pela barreira tecnológica imposta pelos primeiros browsers (Netscape, anyone?) e processamento dos computadores. Quando a Magic Web Design surgiu, em 1996, as páginas eram construídas para um padrão de 640×480 pixels.

Surgiu o plug-in Flash, e junto veio toda uma era de criatividade. A geração “hipster-social” pode ignorar isso, mas o Flash representou um salto quântico de design e criatividade ao ponto de fazer surgir novos profissionais, extremante valorizados, e uma disputa mundial por web sites cada vez mais sofisticados. Vide o site do piloto Alejandro Sanchez, desenvolvido pela Magic em Flash e 3D, ganhador de diversos prêmios:

Web Design: Flash + 3D - Tecnologia do Passado - Antonio Borba

Os problemas do plug-in eram dois: a necessidade de mais recursos de processamento (o que forçava a uma evolução de hardware) e a falta de indexação nos buscadores (o que estava sendo resolvido nos últimos anos). Este último problema também é uma característica de imagens e vídeos, e isso não representou um entrave tecnológico devido ao uso cada vez mais amplo das meta-tags.

Em pouco tempo, as telas dos computadores foram aumentando de tamanho, a navegação passou a acontecer em 800×600, 1024×768,  quase chegando ao padrão de 1280×1024 pixels, quando… os celulares vieram com tudo. Subitamente, as telas eram menores, a demanda por resolução estagnou e até mesmo diminuiu. Somente agora, 8 anos depois do lançamento do primeiro iPhone, as resoluções de tela estão alcançando os patamares da década passada.

A Apple iniciou todo o movimento de empobrecimento de interfaces ao decretar que o Flash era desnecessário, mas a grande verdade é que o software era pesado demais para rodar de forma adequada nos primeiros iPhones. Redefinindo o conceito de smartphones, a Apple e suas consecutivas levas de dispositivos móveis conseguiram o que parecia impossível: decretaram a extinção do plug-in. Cabe lembrar que outros sistemas operacionais móveis, como Android e BlackBerry, eram plenamente compatíveis com o Flash. Mas a força da Apple era suficiente, na época, para brigar com todos eles.

Flash x HTML - Briga que levou o Flash à extinção - Antonio Borba

Na esteira da compatibilidade, surgiram os web sites adaptativos e responsivos, com um novo padrão de código HTML. Como, da noite pro dia, os desenvolvedores foram forçados a reaprender todo um padrão de codificação, não demorou a surgirem frameworks como o Bootstrap, mais famoso deles, que só contribuiu para construir sites cada vez mais parecidos.

Web Design: o dilema atual

Atualmente, temos uma leva de web sites monótonos e, em alguns segmentos de atividade, completamente padronizados. Passado o desafio inicial da codificação, montar um site com essas características é muito fácil. Difícil mesmo seria continuar estabelecendo elementos criativos em uma evolução crescente, na qual o web designer ocupava papel cada vez mais central. É possível que, atualmente, não encontrássemos no mercado pessoas criativas em quantidade suficiente para manter a profusão de web sites que temos hoje, se mantida a evolução tecnológica da década passada. Afinal, criatividade não combina com escala.

Claramente, os sites atuais são mais informativos. Conteúdo e usabilidade representam a essência do que é mais importante. Comodidade é a ordem do dia. Porém, convenhamos, ler blogs e visitar sites responsivos com um celular é bastante desagradável, e estamos tão acostumados que nem percebemos.

Conteúdo: o novo rei, às custas da usabilidade. Antonio Borba

A navegação através de tablets é mais adequada, entretanto, dada a desproporção entre os números (com imensa maioria de smartphones ou phablets sendo utilizada em comparação com tablets), devemos presumir que o público em geral vai ter acesso à informação sempre em uma tela pequena:

 

 

Portanto, algumas das grandes dúvidas do cenário atual da tecnologia de usabilidade são:

1) O usuário está contente com a restrição de navegação e com a mudança do viés tecnológico?

2) Qual será a interface ideal que alie comodidade com usabilidade, daqui para o futuro?

Dificilmente o usuário final percebe ou opina com relação a isso. A grande verdade é que nem sempre nossas necessidades são atendidas diretamente pela tecnologia. O mais comum é o inverso: nosso poder de interação é limitado pela tecnologia que nos é apresentada.

Se isso não fosse verdade, não estaríamos sofrendo com os diminutos teclados virtuais e brigas constantes com o corretor ortográfico, além da completa incompatibilidade entre a principal forma de comunicação atual (mensagens instantâneas) e nossas atividades diárias mais simples, como andar e dirigir.

Pense nisso e lembre-se, no papel de usuário, do poder que perdemos a cada dia.

2 comentários em Web Sites: A Regressão da Tecnologia Móvel

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2 Respostas para Web Sites: A Regressão da Tecnologia Móvel

  1. Anderson Folador disse:

    Excelente texto. Realmente não paramos para analisar sobre esse aspecto. Nossa tendência é sermos imediatistas. Vejo por exemplo na família e amigos, o que importa é ter a informação disponível all the time, mesmo que seja em tela pequena.

    Os pcs em casa acredito que fiquem cada vez mais esquecidos, extintos não sei se chegaria ao ponto, mas obsoletos sim.

    A comodidade é ter tudo isso no bolso e muitas vezes isso se resume a um smartphone, pois um tablet já demanda uma outra logística para vc levar para todos os lugares. Tendo isso muito claro as empresas estão se especializando cada vez mais em atender esse público online. EU mesmo hoje em dia dificilmente ligo o PC em casa, pois me divido entre Iphone e Ipad que atende minha demanda tranquilamente.

    Abraços

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