ANTONIO BORBA - A MAN OF BUSINESS

TECNOLOGIA E SEUS CONFLITOS
  • 17 de janeiro, 2012

“Desviciando” do Facebook

Comportamento, Cotidiano, Redes Sociais

Notificações - O Fator de Vício do Facebook - AntonioBorba.comÉ redundante dizer que Mark Zuckerberg foi muito inteligente ao criar o Facebook. E, como as mídias sociais fazem parte do meu trabalho, costumo analisar os aspectos que levam as pessoas a utilizarem avidamente os novos recursos. Mais precisamente, sempre me pergunto “por que esse produto fez sucesso” ou “o que leva as pessoas à compulsão“?

No caso do Facebook, eu acredito que o principal ”fator de vício” são as famosas notificações, como essa imagem exageradamente desproporcional exibida acima. É o primeiro lugar que o usuário olha quando abre a página. Os números em vermelho chamam e compelem ao clique. Eles remetem à interação, atiçam a curiosidade e trazem a promessa de algo positivo: comentários, “curtir“, compartilhamentos, enfim, sucesso e prestígio no conteúdo social publicado pelo usuário, além de pessoas querendo se comunicar.

Situações similares ocorrem em outras interfaces. Todas elas são planejadas cuidadosamente para levar à compulsão, para não dizer ao vício, e o BlackBerry é um super clássico nesse assunto. Quando dominava a cena dos celulares corporativos, foi apelidado de CrackBerry e dado como responsável por diversas síndromes relacionadas à ansiedade que acometeram executivos ao redor do mundo. Dizem que até mesmo suicídios tiveram como causa os distúrbios provenientes do uso exagerado do aparelho da RIM (Research in Motion, o fabricante).

E como exatamente o BlackBerry conquistou esse duvidoso apelido? Além da interface simples e prática, integração com Outlook, e-mails em tempo real e um conveniente teclado na época “pré-touch“, o “fator de vício” do smartphone se deu muito antes do Facebook, através de uma sacada muito simples:

BlackBerry Notifications - Fator de Vício - AntonioBorba.COM

Ou seja, não foi o Facebook que inventou o vermelho em cima do azul, na verdade o primeiro contato em massa que o mundo teve com esse símbolo de interação foi através do celular.

Não preciso dizer que a união Facebook + BlackBerry, assim como Facebook + Apple e assim por diante, pode ser extremamente viciante a ponto de tornar as pessoas escravas da telinha em seus momentos mais íntimos.

Até que ponto esse vício, que atrapalha a produtividade e interfere na vida social das pessoas, deve ser combatido? Você sabe avaliar o impacto em sua vida? Se você já se flagrou preocupado porque não fez o check-in e seu celular não acha o sinal, ou no meio da reunião com os amigos não conseguindo largar a telinha, é bom se preocupar.

Desviciando

Eu achava que minha compulsão pelo Facebook estava sendo exagerada. De fato, há dias em que passo muitas horas ligado na rede social, mas geralmente isso é fruto das atribuições do meu trabalho na Magic Web Design, ou, ainda, consequência de uma tarde em casa organizando meus arquivos, quando o Facebook fica aberto em segundo plano.

Entretanto, o que estava me incomodando era justamente a tal notificação no BlackBerry e a “necessidade” ou “péssimo hábito” de verificar o celular várias vezes ao dia quando fora de casa.

Foi então que decidi, durante as férias de fim de ano, passar pelo menos 5 dias sem contato com o computador e com o Facebook. Para isso, desinstalei o app do meu BlackBerry Bold e saí em viagem. Consegui ficar 6 ou 7 dias sem acesso algum. Enquanto isso, mantive fechado meu mural no Facebook e ativei as aprovações de marcações, para ter mais privacidade.

Para minha surpresa, além de não sentir falta alguma do Facebook no celular, já se passaram 20 dias e eu ainda não reinstalei o app. Continuo acessando a rede social pelo computador, mas abandonei-a completamente no celular. Adeus check-ins e publicações mobile.

Percebi que posso viver tranquilamente sem isso e, sinceramente, estou achando melhor. Começo a considerar fazer o mesmo com algumas contas de email que acesso via celular, embora sejam úteis em caso de viagem. Twitter já era faz tempo. Já temos SMS para notificações rápidas, o que acho o suficiente para alienar as pessoas.

Recomendo a todos que questionem seus hábitos. Há vida offline. O segredo de saber balancear a interação online com nosso dia a dia pode ser o sucesso para a nossa saúde mental.

7 Respostas para “Desviciando” do Facebook

  • João Ribeiro da SIlva disse:

    Como você me pediu ainda hoje, vou da forma sempre sincera, que você conhece da minha parte, começar a comentar em todos os seus posts.
    O Facebook na realidade tem as questões das notificações que são um pouco viciantes, até porque queremos ver quen nos notificou de algo.
    Mas este tipo de sites, tem sempre algo mais, a questão é sempre “the next new thing”, a esta data o Facebook, fez pelo menos duas atualizações importantes, a linha do tempo, que realmente muda muito a apresentação das páginas , e a capacidade de aceitar URLs curtos, mais recente, de sites que os constroem, sem tradução direta da Url.
    No entanto devo dizer que a tendência de uso das redes sociais, deverá começar as descer nos próximos anos, muito embora ainda esteja numa espiral crescente.

    • Antonio Borba disse:

      João, eu concordo com você. De certa forma, tudo isso ainda é muito novo. A partir do momento em que as pessoas começarem a achar tudo normal, o uso deve diminuir. Por exemplo, eu tenho percebido que diversas pessoas têm diminuído seu uso do Facebook, cansadas das bobeiras “orkut-style” que estão rolando lá dentro. Alguns murais são verdadeiros desfiles de futilidade!
      Abraços!!!

  • Debora Ribeiro disse:

    Muito bom o artigo! Já fui bem mais viciada no Facebook, postava várias vezes ao dia, mas aos poucos fui percebendo o quanto isso era prejudicial! Hoje procuro me controlar mais, embora ainda tenha o app instalado no iPhone! Esse meu comentário parece reunião do AA! Haha! Beijos

  • Rodrigo disse:

    Esta matéria é bem pontual na questão do vício. Eu consegui organizar meu tempo de forma a não ficar muito tempo nas redes sociais, assim consigo focar em outras atividades, mas mesmo assim entro umas 5 vezes ao dia para ver se tem algo de novo.
    Mas agora consigo fazer sobrar tempo para ir na academia, ler um bom livro…
    Boa dica! Grande abraço!

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