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Economia a Serviço do Endividamento

Economia a Serviço do Endividamento - AntonioBorba.comConsumir é um ato prazeroso e reflete na saúde econômica. Entretanto, a sociedade moderna estrangula sua economia e cria armadilhas para si mesma por conta do excesso de consumo.

A sociedade norte-americana, para citar um exemplo, sempre se caracterizou por um forte índice de endividamento. Natural, afinal o forte espírito capitalista unido à ganância de muitas empresas, com o apelo do marketing de massa, leva a um empurra-empurra de produtos e serviços, goela abaixo da população. É quando o “ter” se torna mais importante que o “ser”.

A figura do crédito fácil é claramente um ícone da política econômica americana. Leasing de veículos e uma infinidade de produtos, financiamento de imóveis, acesso a cartões de crédito, possibilidade de refinanciamento e outras facilidades do capitalismo moderno: certamente a bolha do mercado de imóveis não veio à toa. É um comportamento piramidal que se reflete em toda sociedade na qual a ganância ultrapassa o bom senso, como vimos inúmeras vezes nas bolhas das empresa .com, em momento mais recente na quebra da Enron (que virou uma brilhante peça da Broadway) e na forma ainda mais recente – a desaceleração da economia americana.

O mercado do primeiro mundo se esgota, chega um momento no qual não é possível crescer mais. É neste cenário que entram os países emergentes como o Brasil, onde há espaço para crescimento do consumo. Mas será que trilharemos o mesmo caminho?

O endividamento da família brasileira já cresceu assustadoramente, como foi retratado em reportagem do Jornal Nacional. Como muitos brasileiros não estão preocupados com a dívida, o que importa é “comprar”,  a situação só piora. A matéria do Bom Dia Brasil de hoje reflete o aumento da inflação decorrente deste comportamento irresponsável. “Não me preocupo com os juros do cartão. Comigo, o mais importante é comprar“, diz a estudante entrevistada.

Alguns fatores que só ajudam a piorar isso:

  • Incentivo extremo ao uso de cartões de crédito – “dinheiro de plástico” – incentiva o descontrole, aumenta o consumo
  • Aumento do número de prestações – de eletrodomésticos a carros – o importante é a “parcela caber na conta”, nem que seja em 60x
  • Aumento do crédito disponível – desde a vergonhosa oferta de consignados até empresas que oferecem crédito na hora – são “agiotas legalizados”
  • Ganância dos bancos e das empresas – vender e financiar acima de tudo

Atualmente, enfrentamos uma bolha imobiliária devido ao crescimento da renda, falta de mão-de-obra e valorização dos espaços urbanos. Os imóveis no país todo subiram os preços assustadoramente. Com a proximidade da Copa e da Olimpíada, o cenário só vai piorar. Se continuarmos neste caminho, é fato que algumas bolhas deverão estourar.

3 comentários em Economia a Serviço do Endividamento

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3 Respostas para Economia a Serviço do Endividamento

  1. Fernanda Peres Amora disse:

    Concordo com essa inversão. O mercado produz muito mais do que precisamos ou mesmo queremos.
    Eu, pessoalmente, sou contra a indústria de alto luxo, por exemplo. Já que se produz bens de consumo cujo valor de troca é ridiculamente superior ao valor de uso, o que não adiciona nada a vida de ninguém, a não ser a produção de lixo, valorização excessiva de bens materiais, e desigualdade social.
    Contudo, o consumidor tem muita força para adequar os produtos aos seus interesses e valores, ainda que a maioria não se dê conta disso. Exemplos são boicotes a produtos que violam padrões ambientais, ecológicos, morais, etc.
    Mas nossa cultura está muito longe de defender um consumo sustentável e consciente, pois como vc mesmo disse, “ter” é muito mais valorizado do que “ser”. Vamos ver até quando…

  2. Fernanda Peres Amora disse:

    Muito interessante o post. No campo do Direito estudamos a teoria do superendividamento, que propõe um repensar do tratamento padrão dado ao consumidor superendividado, já que vivemos numa sociedade altamente consumista que nos bombardeia diariamente com propagandas sobre produtos cuja necessidade foi criada pela própria indústria produtora.
    Muitas vezes as pessoas adquirem grandes dívidas sem a exata noção do impacto que terá em sua economia familiar. Tudo isso facilitado pelo marketing obscuro e confuso de crediários e instituições financeiras.

    • Antonio Borba disse:

      Fernanda, seu comentário é perfeito! Na verdade, ele complementa o assunto de forma muito pertinente. Afinal de contas, compramos uma série de produtos que não precisamos de verdade. É a indústria justificando sua existência, fazendo a “roda girar” e as ações subirem, certamente às custas de alguém.
      Por vezes, você não pensa que a relação está invertida? As indústrias (entenda de forma ampla) não estão no mercado para atender aos consumidores, mas esses parecem ser meios para que aquelas se perpetuem.

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