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America’s not a country. It’s just a business.


SPOILER ALERT.

Este post conta o final do filme “O Homem da Máfia”.

Sem dúvida, este só pode ser um dos melhores fechamentos de filme da história.

Estava eu sonolento, assistindo “O Homem da Máfia” (Killing Them Softly), filme de 2012, quando, de repente, me deparo com este diálogo final surpreendente. Tive que voltar a cena e ver com calma. A percepção do filme mudou completamente após esta simples fala:

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=5A-L9YKIoWg[/youtube]

A sinopse é básica: o matador profissional  Jackie Cogan, interpretado por Brad Pitt, é colocado a serviço da máfia para vingar um assalto a uma mesa de pôquer. Cenas desastradas, com leve humor negro, conduzem o filme por um enredo que vai se complicando, em um filme razoável que não faz muito para quebrar a monotonia.

Entretanto, a cena final, de fato, vale o filme todo. E o diálogo completo é melhor ainda, trazendo uma reflexão inteligente que é impossível de ser assimilada simplesmente assistindo ao filme. É preciso refletir.

Confira a cena completa transcrita:

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=gIJKpf9Umyw[/youtube]

Inicialmente, segue-se um diálogo no qual o personagem interpretado por Richard Jenkins discute com o matador Jackie Cogan (Brad Pitt) a respeito de como as mortes para quais ele foi contratado se sucederam, e inicia-se uma negociação de “barganha” para os próximos serviços. O personagem tenta convencer Jackie Cogan de o serviço que ele está fazendo é baseado em relacionamentos, para “construir uma América melhor”. O resto é épico:

Discurso de Obama na TV: …to reclaim the American dream and reaffirm that fundamental truth, that, out of many, we are one…

Richard Jenkins: You hear that line? Line’s for you.

Jackie Cogan (Brad Pitt): Don’t make me laugh. One people. It’s a myth created by Thomas Jefferson.

Richard Jenkins: Oh, so now you’re going to have a go at Jefferson, huh?

Jackie Cogan (Brad Pitt): My friend, Thomas Jefferson is an American saint because he wrote the words ‘All men are created equal’, words he clearly didn’t believe since he allowed his own children to live in slavery. He’s a rich white snob who’s sick of paying taxes to the Brits. So, yeah, he writes some lovely words and aroused the rabble and they went and died for those words while he sat back and drank his wine and fucked his slave girl. This guy wants to tell me we’re living in a community? Don’t make me laugh. I’m living in America, and in America you’re on your own. America’s not a country. It’s just a business. Now fuckin’ pay me.

Explicação

Para quem não fala inglês, o diálogo pode ser complexo. Mas basicamente, na TV, o presidente Obama está fazendo um discurso baseado nas frases de Thomas Jefferson, o 3º presidente americano e autor da Declaração da Independência dos Estados Unidos. O discurso fala sobre “verdade fundamental” que discorre sobre o sonho americano e o fato de “todos são um”, ou seja, é basicamente a união de um povo em torno dos pilares da América.

Precisamente neste momento, o personagem se dirige a Jackie e diz “esta fala é para você”, conclamando o matador a se empenhar na defesa dos ideais do mafioso, que estaria preservando os ideais da América ou algo parecido. Na verdade, ele queria contratar os serviços de Jackie a “custo de ocasião”.

Então o matador explica para ele que Thomas Jefferson só é santo porque escreveu “todos os homens são criados iguais“, mas na verdade ele não acreditava nisso porque permitiu seus filhos a viverem em escravidão. Era um esnobe rico que pagava impostos aos britânicos e transava com sua escrava. Então este cara estava conclamando todos a viverem em comunidade? Nessa hora, Jackie profere suas palavras finais: “Não me faça rir. Eu estou vivendo na América, e na América você está por conta própria. América não é um país. É apenas um negócio. Então me pague”.

Agora, a pergunta de um milhão: quem concorda?

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