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Racismo e Preconceito Tiram o Brasil do Rumo do Sucesso


Racismo e Preconceito Tiram o Brasil do Rumo do Sucesso - AntonioBorba.comHá bem pouco tempo, eu achava os Estados Unidos um país exagerado. A onda do politicamente correto certamente estaria “fora do controle” naquelas terras. Um homem evitava pegar o elevador sozinho com uma mulher para não ser acusado de assédio sexual e por aí vai. Pensava eu: “que sociedade é essa“?

Atualmente, eu penso o mesmo a respeito do Brasil. O índice de neurose que estamos atingindo na onda da proteção às minorias, suposto combate ao racismo, assistencialismo e toda sorte de muleta social e psicológica que a sociedade tem imposto aos cidadãos estão fora de controle.

O exemplo mais marcante que ocorreu recentemente foi o escândalo ao redor do clipe do Alexandre Pires, onde ele, UM NEGRO (desculpem, um AFRODESCENDENTE), foi acusado de racismo, junto de outros cidadãos da mesma raça, por se vestirem de macacos. A futilidade foi parar no Fantástico, Jornal Nacional e veículos de mídia mundo afora.

Conotações raciais exageradas

Recentemente, após tomar alguns cocktails, eu discutia com uma amiga a respeito da falsidade que algumas situações cotidianas revelam. Nesse momento, ela me questionou por que motivo não poderia chamar um negro de “negão”, mas poderia tranquilamente chamar um caucasiano de “branquelo”. Ou seja, branquelo=OK, enquanto negão=RACISMO. O que nos diz isso? Ainda estamos pagando pelos anos de escravidão no Brasil?

A cota racial é outra Caixa de Pandora, não há consenso a respeito de um dispositivo que pretende corrigir deficiências sociais de décadas com uma canetada mágica no momento do vestibular, ainda mais em um país miscigenado no qual mesmo uma pessoa branca pode trazer a raça negra em seu DNA.

Enfim, me admira muito que, em meio a tantas coisas importantes, a dita “Secretaria Nacional de Promoção de Igualdade Racial” tenha tempo para ficar implicando com artistas negros que, eu tenho certeza, não têm nada a ganhar com atitudes racistas.

E fico pensando que esse excesso de zelo e frescura só leva ao aumento do preconceito. Daqui a pouco, seremos obrigados (já somos, em alguns casos) a tomar atitudes tais como, em uma seleção de emprego, dar preferência a um candidato negro menos competente por ser politicamente correto. Afinal de contas, nenhuma etnia deve ser artificialmente favorecida, sob risco de polarizar ainda mais os preconceitos e a divisão social.

O racismo existe sim, em todos os países, e deve ser combatido. Porém, no Brasil, para variar, todos se preocupam com as besteiras e coisas pequenas, em vez de se ocupar das questões sérias que realmente merecem atenção.

Extensão a outros aspectos da vida

O mais interessante e chocante é observar que esse pensamento tosco a respeito das diversidades raciais se aplica a outras esferas da sociedade. O melhor exemplo: não obstante toda a ascensão social das classes C e D, politicamente denominadas “menos favorecidas” pois agora também não podemos chamar ninguém de pobre, o Brasil possui um intenso preconceito contra os ricos e contra a riqueza.

Não me admira que as pessoas associem riqueza à corrupção e roubalheira, afinal, nossos brilhantes políticos dão exemplos diários do que não fazer com o dinheiro público. Presenciamos os mais variados casos de pessoas que ficaram ricas dando golpes e fazendo esquemas que envolvem dinheiro público, e o Paraná é um belo exemplo disso.

Entretanto, excluindo esses casos, genuinamente revoltantes, resta um enorme preconceito contra a riqueza. Isso ficou bastante evidente há alguns anos quando o apresentador Luciano Huck teve seu Rolex roubado em um sinaleiro e muitos rotularam isso como um “pedágio social” – ou seja, no melhor estilo Robin Hood, esse seria um preço que os endinheirados deveriam pagar pelo seu sucesso, como se a sua ascensão estivesse diretamente condicionada à pobreza de muitos.

Essa postura tosca e tacanha denota diferenças culturais importantes que talvez ajudem a explicar, apesar dos inúmeros defeitos, por que motivo os Estados Unidos chegaram à posição que ocupam. Não vou entrar no aspecto ideológico da coisa, não vou discutir se o capitalismo selvagem é certo ou errado, mas seguramente eles sabem fazer algo melhor do que ninguém: incentivar o sucesso.

A “América” sempre foi a terra das oportunidades por incentivar o sucesso individual, o que possibilitou que muitos imigrantes, refugiados, perseguidos políticos e uma diversidade de pessoas que largaram tudo em sua terra natal pudessem ascender socialmente e ter uma vida de sucesso. Além do que, em um país com intensas doses de racismo, um negro foi eleito presidente. Isso encerra de uma vez o caso.

Voltando ao Brasil, aqui ser rico é quase sinônimo de ser ladrão. O fracasso é sinal de aceitação social e um fracassado se consola no outro. Uma simples senhora de classe média é rotulada de madame apenas por dirigir um SUV, só para citar o exemplo mais básico. Em um país em que muitas pessoas têm vergonha ou medo de mostrar dinheiro (enquanto outros usam isso descaradamente para posar de bacana), não podemos esperar muito progresso.

Essa mentalidade tem que mudar. Acorda, Brasil!

8 comentários em Racismo e Preconceito Tiram o Brasil do Rumo do Sucesso

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8 Respostas para Racismo e Preconceito Tiram o Brasil do Rumo do Sucesso

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  2. adriana disse:

    Vc é só mais um RACISTA! Deveria estudar a história da escravidão no brasil mais profundamente (deixando de lado seu preconceito), para entender o quanto se faz faz necessário políticas afirmativas visando o combate às diferenças sociais entre negros e brancos. Prova disso foi a hostórica decisão do STF. Acorde, os tempos estão mudando! Aceite!

    • Antonio Borba disse:

      Eu sou racista? Creio que você não tem a mínima cultura ou intelecto para julgar isso. Foi um dos maiores absurdos que já falaram da minha pessoa, e olha que estou acostumado a lidar com pessoas ignorantes. Pergunta: qual a sua raça? Você por acaso é “afrodescendente”?

    • João disse:

      Adrana, com todo o respeito. Se você acha que o Borba é racista, então não o conhece bem e isso lhe posso garantir pelo que vi com meus próprios olhos.
      Para mim a côr de pele é só mais uma diferença, como ter um nariz comprido, ser mais gordo, e tudo o mais, somos todos pessoas, independentemente das diferenças.
      Mas na minha opinião o Borba tem razão sim, estamos criando mais diferenças com quotas e outros mecanismos, isso sim torna a diferença um fator legal.
      Quanto à escravatura, não aconteceu só no Brasil, e em outros países em que isso aconteceu, pessoas de pele mais escura que a minha se deram muito bem e vejo isso com bons olhos.
      Morei alguns anos na África e tenho muitos amigos por lá, se alguma vez eu chama-se algum de AFRODESCENDENTE, tenho a certeza que levaria uma surra (ficariam verdadeiramente ofendidos).
      Tenho um velho amigo com quem dividi o apartamento há mais de 20 anos e que todos chamavam de Vitor o Preto. Uma vez lhe perguntaram se ele não ficava ofendido com isso, resposta dele: – “Não, eu sou preto mesmo! Mas se me chamassem de Vitor o Branco aí dava uma surra no cara!”.
      O único caminho para a igualdade é aceitarmos que somos todos pessoas e todos diferentes.
      Entendeu?

  3. Wagner disse:

    Excelente artigo, compartilho das mesmas opiniões… Eu acho ridículo quando falam mal do Eike Batista só por ser o oitavo homem mais rico do mundo, parecendo que ele realmente é um criminoso e que jamais poderia ter chego onde chegou com mérito e trabalho sério… Não estou defendendo ele pois não conheço a história dele tão bem para defendê-lo ou criticá-lo, mas o que não pode é criticar um homem por ele ser bem sucedido…

    • Antonio Borba disse:

      Wagner, por incrível que pareça, apesar de sempre existirem críticos, até que eu acho o Eike bem aceito dentro de nossa sociedade. Há muitos brasileiros criando nutrindo orgulho pelo cara. Certamente, tem muita coisa suja na trajetória dele, como tem na história de muitas fortunas mundo afora…
      O que eu acho um absurdo mesmo é o tempo que a mídia perde pegando no pé do filho dele. Coisas fúteis.

  4. Gregory Z. disse:

    Concordo fortemente com as afirmações sobre como o Brasil vem “evoluindo” nos aspectos de preconceito, racismo, etc. Estamos ficando tão americanizados que estamos até transformando o nosso jeito de portar (como foi citado para ilustrar, o caso de andar no elevador sozinho com outra mulher nos EUA).

    Esse coitadismo brasileiro é embutido no povo desde bem cedo em suas vidas. Assim que nascem, são ditos que quem tem muito dinheiro está errado, é ladrão e que não merece o que tem. São incentivados a buscarem assistencialismo ao invés de se qualificarem.

    Estamos caminhando na direção certa? Com certeza não!!

    • Antonio Borba disse:

      Greg, valeu pelo comentário que complementou tão bem o que foi exposto no artigo. É fato de que o Brasil tem longa história em se preocupar com o que não é importante… mais um exemplo – há meses que a alfândega vem segurando tudo o que é remessa dos Estados Unidos, principalmente suplementos alimentares – o pessoa de academia sabe disso. Mas drogas??? Ah, isso sempre passa!

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