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Atari e os Natais Eletrônicos de 83 e 84


Meu amigo Marcus Vinicius Garret Chiado, personagem conhecido no ambiente de colecionismo de videogames clássicos no Brasil, começou há alguns anos a falar em lançar um livro sobre a história do Atari. Aos poucos, ele iniciou um intenso trabalho de pesquisa em fóruns, garimpando informações aqui e ali e também coletando dados por conta própria, entrevistando pessoas envolvidas com o cenário da época.

Eu já ouvi tanta gente falar que pretende lançar um livro (eu mesmo já pensei nisso) que, para dizer a verdade, não dei muita bola para o assunto naquele momento. No entanto, para minha surpresa, em 2011 e 2012, Marcus lançou não um, mas dois livros sobre o assunto:

Atari e os Natais Eletrônicos de 83 e 84 - AntonioBorba.com

1983: O Ano dos Videogames no Brasil” e “1984: A Febre dos Videogames Continua” são verdadeiros tratados históricos sobre uma época muito mal documentada de nosso passado recente, mais precisamente, a década de 80.

E põe mal documentada nisso – das empresas que cresceram assustadoramente na época, todas se encaixam em uma das categorias a seguir: não existem mais, mudaram completamente de atividade ou foram vendidas. Pior do que isso, todas apagaram completamente sua história. É quase impossível resgatar um simples catálogo de títulos – afinal, muito antes da Internet, e com baixa informatização, falamos de um período em que a pirataria corria solta no país.

Por falta de uma lei de patentes, qualquer empresa podia operar livremente no mercado pirateando games estrangeiros e revendendo com a sua marca, sem pagar qualquer direito aos fabricantes. Curiosamente, essa bagunça criou no Brasil um mercado único, que hoje, para alguns colecionadores, torna nossos jogos muito valiosos. Afinal, títulos famosos como Enduro ou River Raid, que não existem em mais do que uma ou duas versões em sua fabricação original, possuem facilmente mais de 50 variações no mercado brasileiro. Por isso, colecionar games nacionais é uma proposta ousada – com produção limitada e falta de documentação, encontrar jogos de determinados fabricantes é questão de pura sorte – se for na caixa, muitas vezes é como ganhar na loteria.

É por tudo isso, e pela falta de um registro histórico, que os livros de Garret são únicos – compilações e pesquisas que resultam no retrato de uma época, tudo dentro de um contexto político muito preciso.

Assim, me orgulho muito de ter em minha prateleira exemplares autografados por essa pessoa tão espirituosa:

1983: O Ano dos Videogames no Brasil - AntonioBorba.com

1983: O Ano dos Videogames no Brasil inicia com a descrição do cenário político e financeiro da “década perdida”, mostrando com clareza o sentimento da época e os anseios da população. Em seguida, faz uma breve introdução sobre o cenário dos videogames pré-cartucho, e já parte para o que nos interessa: o Atari 2600. A partir daí, é possível conhecer diferentes modelos de consoles e cartuchos, saber como pensavam e operavam os fabricantes e até passar por propagandas da época, tudo documentado com muitas imagens. E, quem diria, até mesmo alguns itens da minha coleção de Atari podem ser vistos:

1983: O Ano dos Videogames no Brasil - AntonioBorba.com

1983” encerra falando sobre o Odyssey, outro videogame muito popular na época, bem como sobre o Intellivision e o ColecoVision – apresentando motivos pelos quais esses últimos não se estabeleceram no mercado. A partir da leitura do livro, passamos a entender melhor como o Brasil funcionava – sem dúvida alguma um país completamente fora da realidade mundial devido às suas próprias leis bizarras, como por exemplo, a lei da reserva de mercado. Percebe-se que, para ser empresário na época, era preciso ser “artista”. Se o cenário atual não é fácil, o Brasil da década de 80 era uma verdadeira “Tropa de Elite” do empreendedorismo.

Por fim, “1984: A Febre dos Videogames Continua” retoma de onde “1983” para, e prossegue com uma empolgante história que demonstra o poder de um mercado extremamente aquecido. Apesar de reinar uma clara mentalidade de “tudo se copia” no ramo de videogames nacionais, é impossível não reconhecer a criatividade do empresariado brasileiro, que ultrapassava em muito a de gênios do marketing americano. Se não for evidente nos produtos de tecnologia nacional como os superchargers (extensores de memória do Atari) e sintetizadores de voz do Odyssey, podemos citar outros completamente inovadores como o Copy Game ou a “internet particular” que possibilitava carregar 150 jogos no Atari através de um modem – tecnologia surpreendente e inédita para a época.

Você poderá encontrar ainda mais imagens interessantes de todo tipo, frutos de pesquisas e contribuições de diversos colecionadores. Isso inclui mais algumas fotos da minha coleção, que com muito orgulho pude ver retratada no livro com os devidos créditos:

1984: A Febre dos Videogames Continua - AntonioBorba.com

Como Comprar

Os livros de Marcus Garret custam R$ 35,00 cada um, com envio, e podem ser adquiridos pelo e-mail contato@memoriadovideogame.com.br. Compre agora e guarde um pedaço da história!

No mundo atual, em que quase tudo é eletrônico, um livro de papel pode ser uma ótima ideia em momentos como esse:

1984: A Febre dos Videogames Continua - AntonioBorba.com

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